- A administração dos Estados Unidos informou que não recomenda mais plenamente um terço das vacinas infantis, o que, segundo especialistas, pode deixar o país atrás de nações de renda alta na prevenção de doenças.
- A medida é associada a Robert F. Kennedy Jr., atual secretário do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, conhecido cético em relação às vacinas.
- Autoridades de saúde dizem que é a maior mudança no calendário vacinal moderno, o que pode reduzir o acesso a vacinas e aumentar surtos de doenças.
- Algumas vacinas passam a ser oferecidas apenas a grupos de alto risco ou mediante decisão clínica compartilhada, incluindo hepatite A, RSV, hepatite B e vacinas contra dois tipos de meningite; a vacina contra dengue ficará disponível só em áreas de alto risco.
- O processo foi criticado por não ter consulta pública, sem participação do Comitê Assessor de Práticas de Imunização e sem input de especialistas externos; as mudanças foram anunciadas via relatório de apenas dois autores.
O governo dos Estados Unidos surpreendeu ao anunciar que não recomenda mais plenamente cerca de um terço das vacinas infantis. A decisão, associada ao secretário da Saúde e Serviços Humanos (HHS), Robert F. Kennedy Jr, coloca o país em posição de desvantagem em relação a nações de renda similar, segundo especialistas.
A mudança foi anunciada sem base científica apresentada publicamente e sem consulta ampla. Analistas afirmam que a nova política pode reduzir o acesso a vacinas e aumentar a ocorrência de surtos de doença em crianças.
A partir de agora, algumas vacinas passam a ser oferecidas apenas a grupos de alto risco, incluindo hepatite A, RSV, hepatite B e vacinas contra dois tipos de meningite. A vacina contra dengue fica restrita a áreas de alto risco. Outras vacinas dependem de decisão clínica compartilhada, exigindo recomendação médica.
A indicação de apenas uma dose da vacina contra HPV substitui as duas doses anteriores. A divulgação oficial afirma que a medida aproxima os Estados Unidos de padrões de países desenvolvidos, conforme orientação de Donald Trump em dezembro. Na prática, porém, muitos aliados já mantêm esquemas similares aos anteriores.
Especialistas ressaltam que várias nações com sistemas de saúde universais mantêm calendários amplos de vacinação. Reino Unido, Canadá, Austrália, Japão e grande parte da Europa recomendam vacinas como influenza, rotavírus e hepatite B para a população infantil, com variações por risco.
Segundo analistas, o país continua a ter um sistema de saúde mais fragmentado e disparidades de acesso, o que influencia a propagação de doenças. A ausência de cobertura ampla e de licença médica paga agrava atrasos no atendimento e facilita o contágio em deslocamentos internos e entre fronteiras.
HHS informou que a mudança não altera a segurança das vacinas nem os padrões de vigilância. A equipe de Kennedy citou a necessidade de alinhar-se com políticas de saúde pública de pares internacionais, sem detalhar evidências que justifiquem a alteração.
A reação de especialistas aponta preocupações com a transparência do processo. A decisão não passou pela ACIP nem houve ampla participação pública, segundo autoridades. Críticos destacam que o relatório utilizado para embasá-la tem autoria divergente.
Para os profissionais de saúde, a mudança exige atenção redobrada na comunicação com pais e no acompanhamento clínico. A nova agenda exige, ainda, maior clareza sobre quando é indicada uma vacina sob decisão médica, sem comprometer a proteção coletiva.
Especialistas ressaltam que, historicamente, o país liderou políticas de vacinação com base em evidências robustas e revisões periódicas. A transição agora é vista como um movimento controverso para muitos profissionais e observadores da saúde pública.
O impacto a longo prazo ainda é incerto. Pesquisadores alertam para possível aumento de surtos de doenças preveníveis, caso haja menor adesão ou menor acesso a vacinas, principalmente entre populações com menor cobertura de saúde.
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