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Apicultores brasileiros preocupam-se com mineração de lítio e risco às abelhas

Mineração de lítio na Jequitinhonha ameaça abelhas nativas, com queda de polinizadores e impactos sobre safra e biodiversidade local

Aécio Luiz poses for a portrait at his home in the Quilombola community of Córrego Narciso. Image by Amanda Magnani.
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  • Apicultores da Jequitinhonha, em Minas Gerais, relatam queda de abelhas silvestres desde o início de 2021, quando a Sigma Lithium iniciou a construção de uma planta na região.
  • Pesquisadores alertam que mineração de minerais críticos, como o lítio, pode afetar abelhas nativas e o ecossistema local, agravando tensões entre energia limpa e biodiversidade.
  • A área de extração da Sigma Lithium envolve cerca de quatrocentos e quinze hectares, com dúvidas sobre o footprint total e impactos sobre água, poeira e vegetação.
  • Abelhas, especialmente meliponídeos nativos, dependem da vegetação local e estão sendo impactadas pela monocultura de eucalipto e pela mineração, o que pode reduzir a produção agrícola regional.
  • Autoridades brasileiras e o próprio setor minerário discutem diretrizes para proteger polinizadores, incluindo resgate de colônias e fiscalização, com propostas em avaliação para 2026.

Araçuaí e Belém, Brasil — agricultores viram mudanças no comportamento de abelhas a partir de 2021, quando a Sigma Lithium iniciou a construção de uma planta na região do Vale do Jequitinhonha. A descoberta coincidiu com a chegada de outros projetos de lítio e plantações de eucalipto, que alteraram o cenário local.

Beekeepers da região relatam queda na presença de abelhas silvestres e ninhos nativos. Moradores como Aécio Luiz afirmam que o avistamento de ninhos diminuiu, enquanto Osmar Aranã, do povo indígena Aranã, aponta que as abelhas antes voavam por toda parte.

Pesquisadores questionam impactos da mineração de minerais críticos sobre as abelhas e o papel dessas espécies na transição energética. A produção de lítio é associada à tecnologia de energia limpa, mas pode afetar microclimas e ecossistemas locais, segundo especialistas.

Níveis baixos de dados e regulações sobre biodiversidade na região ampliam a incerteza sobre os impactos da mineração. Estudo cita risco de poluição por metais pesados e alterações na disponibilidade de água, na paisagem e na vegetação, que influenciam as abelhas.

A Sigma Lithium informou, em documento de 2020, que possui uma servidão de mineração de 413 hectares que engloba a planta, áreas de rejeito e acessos internos. Não houve resposta da empresa sobre o footprint exato nem a área desmatada total solicitada por veículos de imprensa.

A investigação também aponta que a região abriga outras empresas de lítio ativas há décadas, como a Companhia Brasileira de Lítio (CBL). A área contabiliza mais de 1.500 pedidos ativos de prospecção e mineração, segundo dados de pesquisa local.

Defensores veem nas abelhas nativas um refúgio econômico. Beekeepers destacam a produção de mel de aroeira, com ares de especialidade regional, e apontam que as abelhas locais ajudam na polinização de cultivos regionais, como verduras e café.

Os estudos indicam que as abelhas nativas são polinizadoras mais eficazes para certas culturas, e a diminuição dessas espécies pode reduzir a produtividade agrícola. A polinização depende da vegetação nativa que vem sendo removida pela atividade extractiva.

Estado da governança e ações públicas

Autoridades afirmam que impactos à biodiversidade na mineração são prioridade de avaliação. O Ministério do Meio Ambiente citou diretrizes para resgatar colônias de abelhas sem ferrão em áreas de supressão de vegetação e projetos de mineração, com análise prevista para março de 2026.

O Ministério de Minas trabalha em estruturas para mineração sustentável, com consultas públicas abertas até 14 de janeiro de 2025, visando alinhamento com compromissos de ESG. A oitiva pública acompanha o processo de elaboração de normas.

Mongabay procurou a Sigma Lithium, sem retorno até a publicação. As autoridades destacam que a avaliação ambiental integrada busca mitigar impactos sobre a biodiversidade em operações de mineração de minerais críticos.

As abelhas do Vale do Jequitinhonha são usadas como bioindicadores de qualidade ambiental. Pesquisas associam poluição por metais e distúrbios de habitat a efeitos em saúde e comportamento das colônias, projetando consequências para a produção agrícola local.

Autoras e pesquisadores destacam que o debate sobre minerais críticos e biodiversidade ganhou força, mas não ficou incluído no texto final da COP30. Especialistas ressaltam a necessidade de incorporar custos ambientais na avaliação de projetos de mineração para evitar efeitos em cadeia na agricultura.

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