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Capivaras possuem interruptor molecular que regula digestão de carboidratos

Enzima CapGH2g atua como interruptor molecular que desliga e liga a digestão de carboidratos na capivara, abrindo caminho a aplicações biotecnológicas

Fotografia de uma capivara.
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  • Pesquisadores do CNPEM identificaram na capivara uma enzima chamada CapGH2g que funciona como interruptor molecular, ligando e desligando a digestão de carboidratos pela microbiota intestinal.
  • Em situações de estresse oxidativo, a CapGH2g altera sua estrutura e interrompe a digestão; ao neutralizar os radicais, a enzima retorna ao estado ativo.
  • A descoberta, publicada no Nature Communications em 5 de [mês], abre caminhos para aplicações em biotecnologia, saúde, biotrefinarias e prebióticos.
  • A pesquisa contou com uso da linha Manacá do acelerador de partículas Sirius para investigar a estrutura da enzima.
  • O objetivo atual é entender como explorar a CapGH2g e identificar novas enzimas com funcionamento semelhante para tecnologias ambientais e de saúde.

O intestino da capivara revela um interruptor molecular que regula a digestão de carboidratos. Pesquisadores do CNPEM identificaram uma enzima capaz de ligar e desligar a própria atividade, controlando a digestão de forma reversível. O achado, publicado recentemente, abre caminho para aplicações em biotecnologia, saúde e indústria.

A enzima, chamada CapGH2g, atua dentro da microbiota intestinal formada por microrganismos que ajudam as capivaras a extrair energia de vegetais. O estudo explicita que a CapGH2g ajusta sua conformação conforme as condições químicas do ambiente, modulando a digestão conforme a necessidade do organismo.

Em situações de estresse oxidativo, quando há acúmulo de radicais livres, a enzima desorganiza-se temporariamente, interrompendo a digestão. Ao neutralizar esses radicais, a CapGH2g retorna à forma ativa e retoma a atividade digestiva, num ciclo reversível de acoplamento entre ambiente e função.

Mecanismo de ação e relevância

Para entender a estrutura da CapGH2g, os pesquisadores utilizaram a linha Manacá do acelerador de partículas Sirius, no Brasil, o maior do país. O equipamento funciona como um supermicroscópio, permitindo observar macromoléculas em detalhe.

O estudo aponta que a enzima atua como um sensor ambiental, acionando ou pausando a digestão conforme as condições oxidativas. Essa versatilidade pode inspirar o desenvolvimento de moléculas smart para biorrefinarias, prebióticos e biossensores.

Perspectivas de aplicação

Na área de biorrefinarias, a CapGH2g pode facilitar a conversão de carboidratos complexos de plantas em açúcares menores, contribuindo para o aproveitamento da biomassa vegetal. Em prebióticos, a enzima poderia viabilizar a produção de oligossacarídeos benéficos à saúde intestinal, mantendo sua função em ambientes oxidantes.

A pesquisa continua, com foco em entender como explorar a CapGH2g e identificar enzimas com funcionamento semelhante. As próximas etapas devem confirmar aplicações práticas e ampliar o conhecimento sobre a interação entre enzimas e microbiota no contexto de plantas e animais.

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