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Proteína do trato gastrointestinal pode neutralizar várias bactérias

Proteína intelectina-2 no trato GI neutraliza bactérias, fortalece a barreira de muco e pode servir como terapêutica, inclusive para doença inflamatória intestinal

A view of healthy tissue on left shows bacteria and health mucus layer. On right, viruses appear and are blocked by mltln2 in the mucus layer.
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  • Intelectina‑2, proteína encontrada no trato gastrointestinal, tem atividade antimicrobiana de amplo espectro contra bactérias do intestino.
  • Ela se liga à galactose, carboidrato presente em mucinas, fortalecendo a barreira de muco que reveste o intestino.
  • A proteína atua de duas formas: reforça o muco e, se a barreira falhar, neutraliza ou restringe bactérias que escapam.
  • Em humanos, intelectina‑2 é produzida por células de Paneth no intestino delgado; em camundongos, por células caliciformes em resposta a inflamação.
  • Pesquisadores sugerem potencial terapêutico para doenças como doença inflamatória intestinal e destacam que a proteína pode ajudar a conter infecções sem depender de antibióticos.

A proteína intelectina-2, presente notrato gastrointestinal, pode neutralizar várias bactérias presentes no trato gastrointestinal e fortalecer a barreira de muco que reveste o intestino. Pesquisadores de MIT descobriram que essa lectina se liga a açúcares na membrana bacteriana, prendendo micróbios e limitando seu crescimento.

Os estudos mostram que intelectina-2 atua de duas formas complementares: reforça a camada de muco e, se essa barreira for comprometida, pode neutralizar ou conter bactérias que começam a penetrar. A linha de pesquisa envolve a família de lectinas chamadas intelectinas, presentes em humanos.

O trabalho é assinado por Amanda Dugan e Deepsing Syangtan, com Laura Kiessling como autora sênior. Os resultados foram apresentados na Nature Communications e destacam o potencial terapêutico da proteína para fortalecer a mucosa em doenças inflamatórias do intestino.

Potencial terapêutico e aplicações

Em humanos, intelectin-2 é produzida continuamente por células de Paneth no intestino, enquanto em modelos animais a expressão pode ser estimulada por inflamação. As evidências indicam que a proteína se liga ao açúcar galactose presente em mucinas e em superfícies bacterianas, contribuindo para a defesa contra infecções GI.

A pesquisa aponta que bactérias capturadas pela intelectina-2 podem ser degradadas ao longo do tempo, sugerindo capacidade de desestabilizar membranas bacterianas. Esse espectro amplo de atividade antimicrobiana pode permitir o desenvolvimento de novas terapias, inclusive para cepas resistentes a antibióticos.

Contexto e desdobramentos

A equipe também observou que a intelectin-2 está envolvida no fortalecimento da barreira de muco, o que é crucial para pacientes com doença inflamatória intestinal, em que a barreira pode falhar. Níveis desequilibrados da proteína podem contribuir para a degradação do muco ou afetar a microbiota benéfica.

Os autores sugerem que, no futuro, propriedades de lectinas poderiam ser utilizadas para projetar proteínas que reforcem ativamente essa camada protetora. A pesquisa é financiada por institutos norte-americanos de saúde e pela National Science Foundation.

Participantes e parcerias

Além de Kiessling, assinam o estudo pesquisadores de instituições como UC Davis, Harvard e MIT. O trabalho ressalta a interface entre imunologia, microbiologia e engenharia biológica para entender como a defesa inata do organismo pode ser aproveitada.

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