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Marsupial ameaçado de extinção é fotografado a 1ª vez em 80 anos na Austrália

Quoll-do-norte é registrado pela primeira vez em oitenta anos no santuário de Cape York, reacendendo esperanças de conservação na região

Fotografia do quoll-do-norte que reapareceu no Santuário de Vida Selvagem de Piccaninny Plains
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  • Quoll-do-norte foi fotografado pela primeira vez em 80 anos no Santuário de Piccaninny Plains, em Cape York, no norte da Austrália.
  • Registro foi feito por câmera com sensor de movimento e confirma a sobrevivência da espécie na área, considerada extinta desde os anos 1940.
  • Área onde ocorreu o avistamento tem cerca de 164.850 hectares e fica no território tradicional do povo Kaanju, administrada pela Australian Wildlife Conservancy e pela Fundação Tony & Lisette Lewis.
  • O quoll-do-norte está hoje classificado como em perigo pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
  • A AWC planeja ampliar o monitoramento em Piccaninny Plains neste ano para estimar o tamanho da população e a viabilidade a longo prazo, buscando entender a resistência da espécie a desafios como a invasão de sapos-cururu e predadores.

O quoll-do-norte, o menor dos quolls australianos, foi fotografado pela primeira vez em 80 anos no Santuário de Vida Selvagem de Piccaninny Plains, em Cape York, no norte da Austrália. O registro veio por meio de uma câmera com sensor de movimento, confirmando a sobrevivência da espécie na área onde não havia avistamentos desde os anos 1940.

A imagem foi capturada na borda leste do santuário, que abrange 164.850 hectares. A região é gerida pela Australian Wildlife Conservancy, em parceria com a Fundação Tony & Lisette Lewis, e fica no território tradicional do povo Kaanju. A descoberta reacende a esperança de manter a espécie entre as faunas australianas.

Durante quase duas décadas, ecologistas duvidavam da presença do quoll-do-norte na região. Levantamentos desde 2008, incluindo campanhas com armadilhas fotográficas em 2015, 2021 e 2023, não apresentaram vestígios do animal.

Situação da espécie

O quoll-do-norte ainda é classificado como em perigo pela IUCN. Mede entre 24 e 37 cm, pesa até 1,1 kg e tem pelagem marrom-avermelhada com manchas brancas nas costas. A cauda é escura e quase sem manchas, e o animal é um predador principalmente noturno.

Historicamente, a espécie ocupava vastas áreas do continente, desde o oeste até o sudeste de Queensland. A população entrou em declínio a partir da década de 1930, com a introdução do sapo-cururu, vindo da América para controlar pragas na cana-de-açúcar.

Essa mudança foi agravada por predadores como gatos selvagens, queimadas, incêndios, pastoreio e perda de habitat. O sapo-cururu liberava toxinas letais aos quolls, contribuindo para o colapso populacional.

Perspectivas de conservação

O local de Piccaninny Plains preservou áreas pouco afetadas pelo fogo, resultado de manejo de incêndios pela AWC. Até o momento, câmeras na região não registraram presença de gatos selvagens, principal ameaça para o quoll-do-norte.

A equipe da AWC planeja ampliar o monitoramento ainda neste ano para estimar o tamanho da população local e avaliar a viabilidade a longo prazo. A redescoberta serve como incentivo para estratégias de manejo em grandes paisagens.

Nick Stock, gerente do santuário, destacou que a descoberta reforça a importância de continuar as buscas e proteger as paisagens onde a espécie pode resistir. A ecologista Helena Stokes enfatizou que o registro confirma a necessidade de ciência persistente e de ações de manejo.

A redescoberta não altera o status de risco da espécie, mas aponta caminhos para aprimorar o monitoramento e a proteção de populações existentes. A AWC mantém atuação em três populações conhecidas do quoll-do-norte no norte da Austrália.

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