- A pesquisa aponta que o voo dos pterossauros surgiu junto com uma rápida evolução do cérebro, não herdada diretamente de ancestrais.
- O estudo analisou o crânio de Ixalerpeton polesinensis, lagerpetídeo próximo aos pterossauros, com microtomografia na USP.
- Foi identificado que o lobo óptico foi ampliado nos lagerpetídeos e ainda mais nos pterossauros, ajudando a visão durante o voo.
- O flóculo, parte do cerebelo responsável pela estabilidade da cabeça e dos olhos, ficou consideravelmente desenvolvido nos pterossauros, facilitando manobras.
- Conclusão: o tamanho do cérebro não determina a capacidade de voar; a configuração das asas e a musculatura também são fundamentais.
O estudo aponta que pterossauros, répteis voadores da era dos dinossauros, desenvolveram a capacidade de voar de forma quase zero em termos de cérebro. A pesquisa sugere que o chamado computador de voo evoluiu rapidamente, na origem do grupo, por volta de 215 milhões de anos, junto com uma morfologia corporal propícia ao voo.
Entre as espécies analisadas, esteve o crânio do Ixalerpeton polesinensis, lagerpetídeo considerado próximo aos pterossauros. A reconstituição foi viabilizada por microtomografia computorizada em laboratórios da FFCLRP da USP, em Ribeirão Preto.
A técnica permitiu examinar a cavidade endocraniana, onde fica o cérebro. As imagens indicam poucas semelhanças entre lagerpetídeos e pterossauros quanto ao formato cerebral, salvo o lobo óptico, que se ampliou em ambos de forma diferente.
O lobo óptico mais desenvolvido pode ter auxiliado a navegação em ambientes arborizados nos lagerpetídeos e, nos pterossauros, na conquista dos céus. O tamanho do cérebro, por si só, não seria determinante para a capacidade de voar, apontam os pesquisadores.
Estruturas que moldam o voo
O estudo destaca o flóculo, lóbulo no cerebelo responsável pela estabilidade da cabeça e dos olhos durante o movimento. Nos pterossauros, o flóculo era especialmente grande, funcionando como superfície sensorial que processa informações do vento e da posição corporal durante o voo.
Essa ampliação do flóculo estaria associada à necessidade de coordenar reflexos visuais e manter a visão estável em manobras rápidas. As asas membranosas dos pterossauros eram altamente sensíveis ao ambiente, o que exigiu integração neurológica avançada desde a origem do grupo.
As análises reforçam a ideia de evolução neurológica e aerodinâmica ocorrendo de forma concomitante. Diferentemente das aves, que herdaram adaptações cerebrais de antecessores terrestres, os pterossauros teriam desenvolvido estruturas-chave de voo quase que simultaneamente ao surgimento das asas.
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