- Em 2020, o fotógrafo Vladimír Čech Jr. registrou imagens do gato-bravo europeu na zona militar de Doupov, na República tcheca, após décadas de observações limitadas na região.
- Na Itália, Andrea Sforzi e equipe documentaram o animal em áreas como o vilarejo abandonado de Chiapporato, nos Apeninos, onde um vídeo mostrou o felino em 2020.
- Estimativas indicam cerca de 140 mil gatos-europeus no continente; a presença é confirmada por armadilhas fotográficas e análises genéticas em diferentes países.
- Em 2025, a equipe tcheca capturou o primeiro macho na área militar de Hradiště, em Doupov, com colar de telemetria para entender comportamento, habitat e alcance de dezenas de quilômetros quadrados.
- Em vários lugares, como Áustria, técnicas de armadilhas e amostras de pelos ajudam a confirmar a presença e o retorno do felino às florestas, após décadas de perseguição e perda de habitat.
Duas décadas após desaparecerem de partes da Europa, os gatos-domos europeus estão voltando a aparecer em áreas remotas. Fotografias e estudos mostram imagens inéditas do Felis silvestris, conhecido como gato-selvagem europeu, em florestas e zonas montanhosas.
Em 2020, o fotógrafo de natureza Vladimír Čech Jr registrou o animal em uma zona militar nos Montes Doupov, na Chechênia, República Tcheca, buscando imagens de alta qualidade. O objetivo era documentar uma espécie considerada extinta em várias regiões europeias.
Um registro adicional veio de Itália, com imagens captadas por Andrea Sforzi e sua equipe no vilarejo abandonado de Chiapporato, nos Apeninos. O vídeo mostra um felino deslizando entre casas em ruínas, em meio a pegadas de lobo e de cervos na neve.
Conservação e monitoramento
A pesquisadora Jarmila Krojerová explica que os gatos-selvagens foram historicamente comuns na região tcheca, mas foram expulsos pela caça e pela mudança de paisagens. A presença atual foi confirmada por câmeras armadiladas desde os anos 2010.
Cientistas na região passaram a usar armadilhas fotográficas e amostras de pelos para identificar indivíduos. Técnicas genéticas ajudam a distinguir felinos selvagens de híbridos com gatos domésticos, um problema frequente na detecção.
Em 2025, a equipe checa com Čech e Jiri Sochor começou a usar telemetria por GPS, prendendo filhotes com colares transmissores para mapear Movimentos. O primeiro macho registrado na região de Hradiště mostrou territórios amplos, de dezenas de quilômetros quadrados.
A nova metodologia revela que o gato-selvagem depende de um mosaico de habitats, não apenas de florestas densas. Assim, áreas de pradarias, pastagens e clareiras são parte relevante do espaço de vida do animal.
Panorama regional
No ponto de vista italiano, o trabalho de Sforzi mantém um repositório com milhares de imagens e vídeos enviados por pesquisadores e curiosos. Em várias regiões, o felino está em processo de recuperação graças a leis de proteção e conservação.
Pesquisas recentes também indicam que a presença de gatos-selvagens emE Austria e outras áreas ajuda a entender melhor a distribuição e o comportamento da espécie. A identificação de indivíduos continua sendo possível por padrões de pelagem únicos.
O retrato atual sugere que o gato-selvagem europeu, outrora silenciado pela pressão humana, está reaparecendo em diversos habitats europeus. As imagens e os dados de monitoramento fortalecem o entendimento sobre o papel da espécie nos ecossistemas locais.
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