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Presidente da Embrapa reorganiza finanças para manter soberania do agro

Sob a gestão de Silvia Massruhá, Embrapa redefine o modelo financeiro para manter pesquisa estável e ampliar parcerias estratégicas

Silvia Massruhá, presidente da Embrapa
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  • Embrapa redesenha o modelo financeiro para manter a pesquisa agropecuária, com metas de estabilidade e continuidade de investimentos sob controle público e parcerias privadas.
  • Em 2025 o orçamento dedicado a custeio e investimento em pesquisa ficou em torno de R$ 335 milhões, com previsão de cerca de R$ 410 milhões em 2026.
  • Implementação do Núcleo de Inovação Tecnológica, em 2024, para reinvestir royalties via fundações de apoio e criar ciclo financeiro mais previsível.
  • A empresa está contratando cerca de mil profissionais, incluindo pesquisadores jovens, para renovar o capital humano até o primeiro semestre de 2026.
  • A estratégia inclui maior atuação internacional, com Labex no exterior, escritório em Adis Abeba e novas parcerias globais, além de foco em bioeconomia, descarbonização e rastreabilidade.

A Embrapa, sob a gestão de Silvia Massruhá, redesenhou seu modelo financeiro para manter a soberania do agronegócio brasileiro. A instituição busca financiar pesquisa com previsibilidade em um cenário fiscal restritivo, sem perder capacidade científica.

Massruhá, presidente desde 2023, defende que ciência requer continuidade e tempo. A liderança é a primeira mulher a comandar a principal instituição de pesquisa agropecuária do país, que atua em 43 centros e envolve 7,5 mil funcionários, entre pesquisadores.

O desafio é reduzir o impacto de quedas no orçamento direto de custeio e investimento. Em 2025, o orçamento nessa rubrica chegou a R$ 335 milhões; a previsão para 2026 é de cerca de R$ 410 milhões, dentro de um total de R$ 4,84 bilhões.

A estratégia envolve modelos híbridos de financiamento, parcerias público-privadas e diálogo com o BNDES, no âmbito do programa Inova. A meta é ampliar a participação privada em demandas de curto e médio prazo, sem perder o controle público sobre ativos estratégicos.

Hoje, a Embrapa mantém em torno de 1.170 acordos de inovação aberta com entidades privadas, gerando, em média, cerca de R$ 100 milhões adicionais por ano. Projetos de licenciamento, cooperação tecnológica e serviços científicos aparecem como pilares.

Outro avanço relevante é o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), criado em 2024. O NIT permite reinvestir royalties gerados por tecnologias por meio de fundações de apoio, fortalecendo o fluxo financeiro para pesquisa.

Paralelamente, a instituição acelera a recomposição do quadro de pessoal. Em 2025, a Embrapa contratou cerca de mil novos profissionais, incluindo especialistas em agricultura digital, biotecnologia, ciência de dados, IA e sustentabilidade, com integração prevista até o primeiro semestre de 2026.

Na agenda científica, a prioridade é ciência aplicada, com foco em bioeconomia, descarbonização e rastreabilidade. Tecnologias como a Fixação Biológica de Nitrogênio já contam com ampla adoção, reduzindo a dependência de fertilizantes importados.

A atuação internacional ganha peso, com unidades no exterior, Labex e acordos com centros de pesquisa globais. Em 2024, a instituição abriu um escritório em Adis Abeba, na Etiópia, para atender demandas da União Africana.

Novos acordos devem ampliar parcerias na Ásia, América Central e Oriente Médio. A presidente ressalta que a internacionalização é extensão natural da ciência brasileira, associando a agricultura tropical a estratégias globais de cooperação e desenvolvimento.

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