- Em reservas da Mata Atlântica, pesquisadores coletaram 1.714 mosquitos; entre as fêmeas que se alimentam, 145 eram engordadas e 24 tiveram sangue analisável por DNA.
- Desses 24, 18 tinham sangue de humanos; as demais fontes foram seis aves, um anfíbio, um canídeo e um camundongo.
- Os cientistas dizem que os mosquitos estão preferindo humanos, possivelmente porque a perda de habitat reduziu animais selvagens disponíveis para alimentação.
- A Mata Atlântica hoje tem menos de 30% de sua cobertura original, com áreas fragmentadas cercadas por assentamentos, agricultura e estradas.
- Com desmatamento e aquecimento global, o risco de doenças zoonóticas pode aumentar; os pesquisadores pedem mais estudos sobre como a alteração do habitat afeta a alimentação dos mosquitos e a saúde pública.
A pesquisa mostrou que mosquitos da Mata Atlântica brasileira têm preferência por sangue humano. O estudo ocorreu em reservas da Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro, área marcada pela perda de habitat e pela redução de fauna.
Foram coletados 1.714 mosquitos em duas reservas diferentes. Dentre as fêmeas, que são as únicas que picam, 145 estavam engordadas para a preparação das eggs. Destas, 24 apresentaram sangue passível de análise por DNA.
De acordo com a análise, 18 das 24 amostras continham sangue humano, enquanto as demais provinham de seis aves, um anfíbio, um canídeo e um camundongo. Em várias moscas, houve alimentação em mais de uma espécie, incluindo combinações humano/anfíbio e humano/ave.
Contexto e implicações
Deflorestamento e perda de habitat reduziram o número de animais silvestres disponíveis para alimentação dos mosquitos. Pesquisadores destacam que, com menos vertebrados, os insetos podem buscar novas fontes de sangue, como humanos, elevando a possibilidade de transmissão de doenças.
Os autores ressaltam que a Mata Atlântica, antes extensa, hoje tem menos de 30% de sua cobertura original, com fragmentação considerável. A região se estende pela costa leste do Brasil e parte da Argentina, em área que já foi maior que a do Peru.
Observações finais e próximos passos
Especialistas enfatizam a necessidade de mais estudos para entender como a deflorestação afeta as escolhas de alimentação dos mosquitos. A relação entre mudanças ambientais e saúde pública continua sendo tema de interesse científico.
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