- O Observatório Event Horizon Telescope planeja filmar pela primeira vez o buraco negro supermassivo no centro da galáxia Messier 87, capturando o disco que envolve o horizon (limite além do qual nada escapa).
- A campanha ocorre entre março e abril, com imagens completas a cada três dias, à medida que a Terra gira e diferentes telescópios entram em campo.
- A ideia é entender a velocidade de rotação do buraco negro e como ele lança jets, perguntas que ainda não têm respostas conclusivas.
- O objetivo é avançar o conhecimento sobre buracos negros e seu papel na formação e evolução de galáxias, além de esclarecer como jets afetam a formação de estrelas.
- Os dados gerados são volumosos e precisarão de processamento após o verão antártico, com as informações encaminhadas para Alemanha e Estados Unidos para análise.
A nova campanha de observação do Event Horizon Telescope (EHT) visa registrar uma sequência em movimento do buraco negro no coração da galáxia Messier 87. A exposição ocorrerá durante março e abril, com o objetivo de capturar o disco em giro na borda do horizonte de eventos, onde a luz não escapa.
Sera Markoff, professora Plumian de astronomia na Universidade de Cambridge, lidera o projeto como membro fundadora do EHT. A iniciativa promete revelar detalhes sobre a velocidade de rotação do buraco e o mecanismo de ejeção de jatos, questões ainda em debate no campo.
A equipe utiliza uma rede global de 12 radiotelescópios, que vai de Antártida a Espanha e Coreia. Durante a rotação da Terra, o buraco central de M87 ficará visível para diferentes observatórios, permitindo uma imagem completa a cada três dias.
Funcionamento e objetivo técnico
A massa do buraco é equivalente a 6 bilhões de solares, ocupando uma área tão grande quanto o sistema solar. A escala facilita a montagem de imagens em sequência a partir de snapshots, formando uma animação.
A expectativa é comparar teorias sobre como buracos negros atingem tais proporções. Se o crescimento ocorrer principalmente por acreção, a rotação tende a ser extremamente rápida; se houver fusões, a rotação pode diminuir ao longo do tempo.
Implicações para a compreensão de galáxias
Observações também ajudam a esclarecer a formação de jatos, estruturas gigantes que dispersam gás e interferem na formação de novas estrelas. Em M87, os jatos já são visíveis em toda a galáxia e influenciam sua evolução.
Os cientistas calculam que a enorme quantidade de dados gerada deve ser processada após o verão antártico, com envio de discos rígidos para Alemanha e Estados Unidos. O público mundial deverá aguardar para ver os resultados completos da animação.
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