- Em Pantanal Norte, no Mato Grosso, câmeras instaladas em currais detectaram quatro onças-pintadas passando pela cerca elétrica em sequência, em pouco mais de dois minutos.
- O grupo é composto por uma fêmea adulta, dois filhotes subadultos e um jovem macho não filho, configurando um arranjo familiar raro na espécie, que normalmente é solitária.
- As imagens mostram a fêmea, os filhotes e o macho circulando pela cerca, com o choque da cerca influenciando o comportamento dos jovens.
- O registro faz parte de estudo publicado na revista Biota Neotropica, que investiga como as onças percebem a barreira elétrica e se isso pode reduzir ataques ao gado sem eliminar os animais.
- Pesquisadores já atuam na região com cercas elétricas para proteção do gado e observaram uso compartilhado de carcaças pelo grupo, sugerindo possíveis caminhos de convivência e aprendizado social.
No Pantanal Norte, no Mato Grosso, câmeras noturnas registraram quatro onças-pintadas interagindo diante de uma cerca elétrica que protege o gado e as próprias felinas. O episódio durou pouco mais de dois minutos, com as onças cheirando o ambiente e observando umas às outras.
O registro faz parte de um estudo publicado na revista Biota Neotropica. A equipe monitora as interações entre onças e cercas elétricas desde que o manejo com fios eletrificados passou a ser utilizado para reduzir ataques ao gado.
Ambiente e contexto
As imagens foram captadas em currais de fazendas da região, onde a pecuária predomina. A paisagem mistura áreas alagadas, mata e pastagens, comum no Pantanal. O estudo analisa se a cerca elétrica é percebida pelas onças e como isso afeta seu comportamento.
Estrutura familiar incomum
Entre as onças observadas estavam uma fêmea adulta, dois filhotes subadultos e um jovem macho aparentado, mas não filho. A presença de um arranjo familiar com tolerância entre indivíduos difere do que se observa comumente, que é o comportamento solitário das onças.
Sequência de interação
Entre 23h03 e 23h05, o jovem se aproxima da cerca, recebe o choque, recua. Em seguida, surge outro subadulto que emite um sibilo, e mais tarde a fêmea mãe se aproxima, cheira o local e continua cautelosa. O grupo pareceu circular junto naquele intervalo.
Uso do espaço e recursos
Registros de dias anteriores indicam que o mesmo grupo permaneceu próximo de carcaças, como de capivaras e guaxinins, em momentos diferentes. Isso sugere uso coordenado do espaço para acesso a alimento, mesmo em áreas sob manejo humano.
Implicações para convivência
A pesquisa aponta que a cerca elétrica pode influenciar o comportamento das onças jovens, ajudando a afastá-las de predar o gado e incentivando a procura por presas naturais. Observações recentes indicam retorno do macho jovem ao curral sem tentativa de atravessar a barreira.
Avanços e próximos passos
O estudo já atuava em cerca de 30 mil hectares na região, com dezenas de câmeras para identificar indivíduos e testar medidas anti-predatórias. O monitoramento contínuo busca entender melhor a formação de alianças, a duração dessas interações e o papel do parentesco na convivência com o ambiente humano.
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