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Cogumelo provoca alucinações: pessoas veem dezenas de humanos em pratos

Alucinações de gente minúscula associadas ao cogumelo Lanmaoa asiatica continuam a intrigar pesquisadores, que buscam a substância responsável e possíveis impactos no cérebro

Colin Domnauer Bowls containing piles of brown mushrooms with bright yellow undersides (Credit: Colin Domnauer)
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  • Médicos da província de Yunnan, na China, atendem anualmente pessoas com alucinações de figurinhas minúsculas ao comer Lanmaoa asiatica, um cogumero comum na região.
  • O cogumino é vendido em mercados, aparece em cardápios de restaurantes e é consumido no verão, entre junho e agosto; é preciso cozinhá-lo bem para evitar as alucinações.
  • O pesquisador Colin Domnauer confirmou a identidade da espécie por meio de sequenciamento de genoma; extratos do cogumino fizeram camundongos apresentar hiperatividade seguida de longos períodos de imobilidade.
  • As alucinações costumam durar de um a três dias após o início dos efeitos, com hospitalizações em alguns casos; ainda não foi identificado o composto ativo responsável.
  • Amostras coletadas nas Filipinas, apesar de aparência diferente, são geneticamente da mesma espécie, sugerindo distribuição ampla e curiosa constância das percepções associadas à L. asiatica.

Colin Domnauer, pesquisador de microbiologia, estuda há anos a lanmaoa asiatica, um cogumelo comum na província de Yunnan, China. A cada temporada, pacientes chegam a hospitais com um sintoma incomum: visões de figuras minúsculas, descritas como elfas, que aparecem durante as refeições e parecem se mover sob portas e sobre móveis.

A presença do cogumelo na alimentação local é frequente entre junho e agosto, quando é vendido em mercados, servido em restaurantes ou preparado em casa. O cultivo ocorre em florestas próximas, onde o fungo forma relações com pinheiros. O consumo deve ser bem cozido para evitar as alucinações.

Domnauer, doutorando em biologia, diz que a curiosidade científica o levou a Yunnan na temporada de fungos para coletar amostras apontadas por vendedores. Os espécimes foram levados ao laboratório para sequenciamento genético, a fim de confirmar a identidade da espécie e entender seu potencial psicoativo.

Os resultados indicaram que as amostras coletadas são de L. asiatica. Em experimentos com extratos em modelos animais, observou-se hiperatividade seguida de um período prolongado de imobilidade. O objetivo é identificar o composto responsável pelas alucinações.

O pesquisador também visitou as Filipinas em busca de relatos similares e coletou cogumelos parecidos aos de Yunnan. A análise genética mostrou que pertencem à mesma espécie, ainda que com aparência distinta. Estudos atuais sugerem que o efeito alucinatório não está ligado a psilocibina.

Ainda sem isolamento definitivo do composto ativo, Domnauer aponta que as alucinações costumam durar de 1 a 3 dias após o início, com início entre 12 e 24 horas. Em alguns casos, pacientes ficaram hospitalizados por até uma semana, o que distingue esse cogumelo de outras substâncias psicoativas.

O grupo de pesquisa observa que, ao contrário de outras experiências alucinatórias, as percepções de miniaturas são bastante recorrentes entre diferentes observadores da mesma espécie. Essa consistência levanta questões únicas sobre mecanismos cerebrais e possíveis aplicações terapêuticas futuras.

Analistas destacam ainda a importância de entender a L. asiatica para ampliar o conhecimento sobre alucinações espontâneas e os limites entre percepção e realidade. A pesquisa pode abrir caminhos para novas abordagens terapêuticas ligadas ao cérebro humano.

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