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Mobilização para produzir vacina contra a covid deixa legado ao SUS

Mobilização durante a pandemia gerou capacidade produtiva nacional e legado tecnológico para o SUS, viabilizando vacinas 100% brasileiras e terapias

Vacina de Oxford/AstraZeneca
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  • Bio-Manguinhos/Fiocruz mobilizou equipes e recursos desde março de 2020 para viabilizar a vacina contra a covid-19, incluindo a transferência de tecnologia da Universidade de Oxford e da AstraZeneca.
  • A primeira leva da vacina Oxford/Astrazeneca chegou ao Brasil em janeiro de 2021, com 2 milhões de doses prontas, logo após a aprovação de uso emergencial pela Anvisa, e a aplicação começou em 23 de janeiro.
  • A partir de fevereiro de 2021, passou a importar apenas o ingrediente farmacêutico ativo e a realizar envase, rotulagem e controle de qualidade no Brasil, até a produção 100% nacional a partir de fevereiro de 2022.
  • O imunizante produzido pela Fiocruz foi o mais utilizado no Brasil em 2021, contribuindo para a redução de mortes; especialistas estimam que cerca de 300 mil vidas foram poupadas naquele primeiro ano.
  • Como legado, a instituição ampliou a capacidade tecnológica e industrial para outras pesquisas, incluindo terapias avançadas para amiotrofia espinhal (AME) e o desenvolvimento de vacinas de RNA mensageiro, com planos de reduzir custos e ampliar soberania sanitária do SUS.

No âmbito da resposta à Covid-19, a Bio-Manguinhos/Fiocruz mobilizou equipes para acelerar o desenvolvimento e a transferência de tecnologia de vacinas. O esforço resultou na adaptação de plataformas já existentes, permitindo uma produção mais rápida e integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A atuação começou em 2020, quando a instituição initializing a busca por vacinas adequadas ao Brasil. O objetivo era viabilizar a aquisição por meio de transferência de tecnologia e adequar a infraestrutura pública para suprir a demanda nacional.

A parceria com a Universidade de Oxford e a AstraZeneca foi o principal marco. A Bio-Manguinhos estruturou o arcabouço jurídico necessário para transferir tecnologia de um produto ainda em desenvolvimento, mobilizando equipes e recursos para atender aos padrões regulatórios.

Transferência de tecnologia

A primeira remessa da vacina Oxford/Astrazeneca chegou ao Brasil em janeiro de 2021, com 2 milhões de doses, dias após a aprovação de uso emergencial pela Anvisa. A aplicação teve início em 23 de janeiro.

A partir de fevereiro, apenas o ingrediente ativo passou a ser importado, com a Bio-Manguinhos assumindo envase, rotulagem e controle de qualidade nas próprias instalações. As etapas finais passaram a ocorrer no país.

Com a transferência completa, a população brasileira passou a receber, a partir de fevereiro de 2022, a vacina produzida integralmente no Brasil. Rosane Cuber destaca que a capacidade instalada da unidade foi crucial para esse avanço.

Legado e continuidade

A produção de vacinas pela Fiocruz encerrou-se após o fim da pandemia, à medida que vacinas mais modernas entraram em pauta. Em 2021, o imunizante de Bio-Manguinhos foi o mais utilizado no Brasil, ajudando na adoção inicial do programa de imunização.

Especialistas estimam que centenas de milhares de vidas foram poupadas no primeiro ano de aplicação. A diretora ressalta que o legado envolve qualificação técnica e uma estrutura fabril capaz de atender a pesquisas futuras.

Outra herança é a pesquisa de terapias avançadas, incluindo uma possível terapia para a atrofia muscular espinhal, ainda em estudos clínicos aprovados pela Anvisa. A proposta utiliza a mesma plataforma de vetor viral empregada na vacina de Oxford.

Paralelamente, começam testes em humanos de uma vacina contra a Covid-19 baseada em RNA mensageiro, tecnologia já estudada para tratamentos de câncer. A expectativa é ampliar a soberania tecnológica do SUS e reduzir custos.

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