- A Bio–Manguinhos/Fiocruz coordenou a transferência de tecnologia da vacina Oxford/Astrazeneca para o Brasil, com a primeira leva chegando ao país em janeiro de 2021, já com 2 milhões de doses prontas.
- A aplicação da vacina teve início em 23 de janeiro de 2021, após aprovação de uso emergencial pela Anvisa.
- A partir de fevereiro de 2022, a produção no Brasil tornou-se 100% nacional, com importação apenas do ingrediente ativo (IFA) até então, e envio para envase, rotulagem e controle de qualidade no instituto.
- Em 2021, a Fiocruz foi responsável pelo maior fornecimento de vacinas contra a covid-19 no Brasil, entregando 190 milhões de doses; o processo criou capacidade industrial para outros produtos do SUS e para pesquisas futuras.
- Entre as heranças, o instituto trabalha em terapia avançada para atrofia muscular espinhal (AME) com plataforma de vetor viral, autorizado para estudos pela Anvisa, além de iniciar, em 2024, testes em humanos de uma vacina de RNA mensageiro; a Bio–Manguinhos também foi reconhecida pela OMS como hub regional de pesquisa com RNA mensageiro.
No início da pandemia de Covid-19, Bio-Manguinhos/Fiocruz mobilizou esforços para localizar e transferir tecnologia de vacinas. A iniciativa levou à chegada da vacina de Oxford/AstraZeneca ao Brasil e à produção nacional de insumos críticos, fortalecendo o SUS.
A liderança do instituto, representada pela pesquisadora Rosane Cuber, ressalta que as plataformas de imunização já eram consolidadas. A adaptação rápida decorreu de um acervo científico existente, que permitiu ajustes para novas vacinas sem partir do zero.
Desde março de 2020, a Bio-Manguinhos ampliou a produção de testes diagnósticos e iniciou a prospecção de vacinas em desenvolvimento para aquisição por meio de transferência de tecnologia. As negociações com Oxford/AstraZeneca começaram em agosto daquele ano.
A primeira remessa da vacina inglesa, com 2 milhões de doses, chegou ao Brasil em janeiro de 2021, dias antes da autorização emergencial da Anvisa. A aplicação começou em 23 de janeiro, com controle de qualidade interno sendo ampliado para atender a demanda.
A parceria permitiu que, a partir de fevereiro de 2021, o ingrediente ativo da vacina passasse a ser importado apenas para a etapa final de envase pela própria Fiocruz, que passou a produzir o insumo no Brasil. Em 2022, a vacinação passou a ocorrer com imunizante 100% nacional.
A atuação da Bio-Manguinhos durante a pandemia consolidou o papel do laboratório como principal unidade de desenvolvimento de vacinas do Brasil e elevou a confiança regulatória. A Anvisa acompanhou todo o processo, assegurando padrões de segurança.
Legado e novas frentes de pesquisa
A produção nacional de vacinas abriu espaço para aplicações futuras em terapias avançadas, como tratamentos para atrofia muscular espinhal (AME). A tecnologia de vetor viral, utilizada na AstraZeneca, também sustenta novas pesquisas em medicamentos de alto custo.
Ainda neste ano, começam testes clínicos de uma vacina contra a Covid-19 baseada em RNA mensageiro, com potencial para ampliar plataformas de imunização nacionais. O objetivo é reduzir custos e fortalecer a soberania sanitária.
Segundo Rosane Cuber, o fortalecimento industrial de Bio-Manguinhos facilita a entrega de terapias para o SUS e amplia o acesso a tratamentos de alto custo, com possíveis reduções de preço e maior autonomia tecnológica.
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