- Em 2025, os oceanos absorveram 23 zettajoules extras de energia térmica, o maior valor desde o início das medições modernas na década de 1960.
- Foi o nono ano consecutivo com recorde de calor armazenado no oceano, indicando continuação da tendência de crescimento de energia no sistema climático.
- A temperatura média da superfície do mar em 2025 ficou cerca de 0,5°C acima da média de 1981 a 2010, mas nem tudo reflete o aquecimento total, pois parte do calor fica nas camadas mais profundas.
- O estudo se baseia no conteúdo de calor do oceano até os 2.000 metros de profundidade, com dados de bases como NOAA (Estados Unidos), Copernicus (União Europeia) e Academia Chinesa de Ciências.
- Regiões de maior aquecimento incluem o Atlântico tropical e sul, o Mar Mediterrâneo, o norte do Oceano Índico e o Oceano Antártico; impactos previstos envolvem ondas de calor marinhas, mudanças nos padrões de chuva e tempestades mais intensas.
Em 2025, os oceanos absorveram mais calor do que em qualquer ano desde o início das medições modernas, na década de 1960. O dado é apresentado em estudo publicado na revista Advances in Atmospheric Science.
O trabalho aponta que os oceanos funcionam como o maior reservatório de calor da Terra, capturando mais de 90% do excesso de energia residual na atmosfera devido às emissões de gases de efeito estufa. O resultado é um acúmulo contínuo de energia no oceano.
Os pesquisadores calcularam que 2025 absorveu 23 zettajoules de energia térmica a mais. Para contextualizar, segundo o estudo, isso corresponde a cerca de 12 bombas de Hiroshima por segundo no oceano, segundo as palavras de um dos autores em entrevista à Wired.
A sequência de aquecimento não se interrompe. Foi o nono ano consecutivo com recorde de calor oceânico, indicando que o oceano vem armazenando mais energia ano após ano, sem sinais de estabilização.
O que mudou na superfície e no volume
Em 2025, a temperatura média global da superfície do mar ficou em torno de 0,5°C acima da média de 1981-2010, a terceira mais alta já registrada. Contudo, parte do calor está em camadas mais profundas, não apenas na superfície.
Para mensurar o aquecimento, o estudo usa principalmente o conteúdo de calor oceânico, que estima a energia total armazenada, especialmente nos primeiros 2000 metros. Dados utilizam bases de monitoramento da NOAA, Copernicus e Academia Chinesa de Ciências.
O salto de 2024 para 2025 foi expressivo: 16 zettajoules extras em 2024, frente a 23 em 2025. Esse aumento ocorreu mesmo com uma leve queda na temperatura de superfície em 2025, frente ao ano anterior.
Interação com padrões climáticos globais
O estudo explica que fenômenos naturais influenciam esse comportamento. El Niño tende a elevar a temperatura de superfície em várias regiões, enquanto La Niña pode reduzir esse aquecimento. 2024 teve El Niño forte; 2025, La Niña fraco.
Regiões com maior aquecimento incluem o Atlântico Tropical e Sul, o Mar Mediterrâneo, o norte do Oceano Índico e o Oceano Antártico. Essas zonas impactam circulação atmosférica, padrões de chuva e eventos extremos.
Implicações e relevância
O aquecimento oceânico está ligado a maior frequência e intensidade de ondas de calor marinhas, mudanças na circulação do ar e alterações nos regimes de chuva mundial. Os autores descrevem o aquecimento como evidência direta de desequilíbrio térmico do sistema climático.
O estudo reforça que o calor acumulado no oceano não se dissipa rapidamente, misturando-se e circulando por décadas. Parte das consequências já está “contratada” para o futuro, segundo os autores.
Entre na conversa da comunidade