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Rioja: muito além do Tempranillo, produtores querem mostrar diversidade

Rioja amplia diversidade ao valorizar Garnacha, Graciano e Mazuelo, mantendo Tempranillo como base

Vinhos de Rioja querem ir além da uva Tempranillo
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  • Rioja fica no norte da Espanha, ao longo do vale do rio Ebro, abrangendo La Rioja, País Basco (Rioja Alavesa) e Navarra.
  • Embora seja associada à Tempranillo, a região mantém Garnacha, Graciano e Mazuelo como castas presentes há gerações, que ganham espaço para se expressar.
  • Produtores como Manzanos e Campo Viejo destacam essas uvas em varietais e cortes, citando Garnacha com exemplos como o 1890 Manzanos Single Vineyard Garnacha (96 pontos pela Decanter) e Graciano em vinhos como Voché Graciano, além do Aniversario (97 pontos pela Decanter).
  • A Graciano é cultivada em áreas históricas de Rioja, com vinhos que ganham estrutura, longevidade e intensidade; a Mazuelo aparece mais em blends, contribuindo com frescor e complexidade.
  • Mudanças climáticas alteram as expressões das uvas, com Garnacha tolerante ao calor e Rioja Oriental favorecendo algumas castas; há crescimento do interesse por varietais, mas os melhores resultados aparecem quando essas castas convivem com a Tempranillo, preservando a identidade de Rioja.

Rioja não é apenas Tempranillo. Três territórios no norte da Espanha moldam estilos, uvas e decisões que sustentam a força atual da região ao longo do vale do Ebro, envolvendo La Rioja, País Basco (Rioja Alavesa) e Navarra.

Apesar da imagem tradicional associada à Tempranillo, a região sempre contou com Garnacha, Graciano e Mazuelo. Hoje, produtores destacam um novo momento para essas uvas autóctones, buscando espaço para se expressarem sem abandonar a tradição.

Na visão da Bodegas Manzanos, o amadurecimento de Rioja passa por evolução natural. O CEO Víctor Manzanos afirma que a Tempranillo continua como espinha dorsal, enquanto as outras castas agregam complexidade e diversidade ao conjunto.

A Garnacha, por exemplo, tem ganhado destaque com expressão frutada e elegância. Em vinhos de sua vinícola, a uva mostra potencial quando tratada com manejo cuidadoso do vinhedo e da vinícola, elevando a qualidade dos cortes e varietais.

A Graciano, historicamente vista como desafiadora, ganha espaço com a maior área plantada nessa uva e o vinhedo mais antigo de Rioja. Rótulos como Voché Graciano e Manzanos Aniversario evidenciam intensidade, profundidade e longevidade.

A Mazuelo também aparece em papéis de corte, contribuindo com cor, estrutura e frescor. Mesmo não sendo vinificada isoladamente com frequência, a uva enriquece a identidade de Rioja e amplia o leque de estilos da região.

Na Campo Viejo, o enólogo-chefe Ignacio López reforça que Garnacha, Graciano e Mazuelo já integram Rioja desde antes da Denominação de Origem. Eles aparecem em cortes, varietais e rótulos históricos, mantendo a linha da vinícola ligada à tradição riojana.

A combinação clássica de Rioja permanece, com o Campo Viejo Reserva tomando Tempranillo como base, mas incluindo Graciano e Mazuelo em alguns lotes. Edições especiais de Graciano e Mazuelo varietais também aparecem pelo portfólio da marca.

Para López, a diversidade de terroirs de Rioja impede generalizações. Ele aponta que Garnacha tende a expressar elegância, Mazuelo oferece estrutura e tensão, e Graciano confere cor intensa, acidez e maior potencial de envelhecimento.

Mudanças climáticas chegam à região, mas a adaptação tem sido eficiente. Na Manzanos, irrigação automática e manejo de maturação ajudam a controlar o estresse hídrico e manter qualidade estável ano após ano.

Segundo o enólogo Ignacio López, as mudanças climáticas geram novas expressões dessas variedades e abrem espaço para cultivá-las em áreas antes menos adequadas, ampliando as possibilidades de Rioja.

No mercado, há demanda crescente por varietais, especialmente Garnacha e Graciano. Ainda assim, o melhor desempenho ocorre quando essas uvas funcionam em conjunto com a Tempranillo, mantendo a autenticidade de Rioja.

Para Campo Viejo, a prioridade continua sendo a fidelidade à região. Vinhos podem nascer tanto de varietais quanto de cortes, desde que expressem o terroir e a identidade riojana, sem perder a essência local.

Avanços tecnológicos e práticas de viticultura de precisão tornam as uvas antes consideradas difíceis mais manejáveis. Rioja Oriental, com insolação e temperaturas mais altas, é citada como área propícia para essa diversidade.

A soma é uma Rioja mais ampla, flexível e segura de sua identidade. A região não abandona a Tempranillo, mas permite que seu elenco historic se expanda, mantendo o foco na qualidade e na expressão dos vinhos.

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