- Novo modelo biomimético de circuitos cerebrais, baseado na biologia, aprendeu tarefa simples de categorização visual com desempenho similar ao de animais, sem usar dados de experimentos com animais.
- O modelo foi desenvolvido do zero para reproduzir conectividades neuronais e a comunicação elétrica e química entre regiões cerebrais, incluindo cortex, tronco encefálico, estriado e uma estrutura denominada neurônio ativo tonal (TAN).
- Durante o aprendizado, houve sincronização entre cortex e estriado na faixa beta, associada às decisões corretas de classificação, assim como ocorre nos animais.
- Cerca de 20 por cento das neurônios apresentaram atividade “incongruente” que previa erro; quando esses neurônios influenciaram redes, houve erro na classificação, sinal observado também em dados de animais.
- Pesquisadores planejam ampliar o modelo, testar intervenções e aplicações em neurotecnologia e fármacos; a equipe envolve Dartmouth, MIT e Stony Brook, com financiamentos de fundações e instituições de apoio.
Desenvolvimento biomimético avança em simulação cerebral
Um novo modelo computacional, inspirado de forma próxima à biologia, aprendeu uma tarefa simples de categorização visual tão bem quanto animais de laboratório. Além disso, revelou comportamentos neurais curiosos ainda não vistos em dados de experiments com animais.
O modelo foi criado do zero para reproduzir conectividade e comunicação química e elétrica entre regiões cerebrais. Não houve treino com dados de experiments com animais; o desempenho vem de regras neurobiológicas embutidas no desenho.
Aplicado à tarefa de observar padrões de pontos e decidir a qual grupo eles pertencem, o modelo gerou atividade neural e resultados comportamentais muito próximos aos observados em animais. Progresso de aprendizado foi semelhante ao animal.
Como nasceu o modelo e o que ele faz
O desenho incorpora microcircuitos chamados de primitives, que simulam conexões entre neurônios excitadores e inibidores, em uma arquitetura de competição tipo winner-take-all. Circuits conectam cortex, brainstem, striatum e uma estrutura de acetilcolina.
Ao longo do aprendizado, o modelo exibiu sincronização entre cortex e striatum na faixa beta das oscilações, associada a respostas corretas na tarefa. A dinâmica é alinhada a padrões observados em pesquisas com animais.
Foi identificada uma fração de neurônios — cerca de 20% — cuja atividade associou-se de forma previsível ao erro. Quando influenciavam redes, o modelo cometia equívocos na categorização.
Implicações e próximos passos
Os pesquisadores questionam se tais neurônios incongruentes podem ter função adaptativa quando regras mudam, sugerindo exploração de alternativas de comportamento. A equipe planeja ampliar regiões e neuromoduladores no modelo.
O estudo visa não apenas entender o funcionamento do cérebro, mas testar intervenções terapêuticas em estágios iniciais. A iniciativa envolve Dartmouth, MIT e Stony Brook, com a criação da Neuroblox.ai para aplicações biotecnológicas.
Financiamento veio de Baszucki Brain Research Fund, Office of Naval Research e Freedom Together Foundation. A pesquisa foi publicada na Nature Communications.
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