- Pesquisadores de cinco universidades mostraram que a retina dos tubarões-do-Greeland consegue detectar luz e contraste, desmentindo a ideia de cegueira absoluta.
- Antes vistos como os vertebrados mais velhos, eles não seriam tão lentos e desatentos; estudos mostram movimentos mais complexos do que se imaginava.
- Em Tremblay Sound, Nunavut, evidências sugerem que os tubarões usam as barbatanas de modo semelhante aos belugas para movimentos finos.
- A hipótese de vida útil de até quinhentos anos é questionada, já que a datação por carbono tem limitações para idades tão grandes.
- Ainda não se sabe onde eles se reproduzem nem quantos filhotes têm; o Ártico em aquecimento pode empurrar a espécie para águas mais profundas.
O que se sabia até então sobre o tubarão-do- Groenlândia foi desmentido por um estudo divulgado em janeiro. Pesquisadores de cinco universidades revelaram que as retinas do animal não são cegas e conseguem detectar luz e contraste, desafiando a visão tradicional sobre a espécie. O achado faz parte de uma investigação realizada em Tremblay Sound, Nunavut, no norte do Canadá.
A pesquisa analisou a estrutura, a sequência genética e a função molecular das retinas. Mesmo com olhos frequentemente cobertos por parasitas e com visão descrita como nublada, os cientistas mostraram que a retina pode responder a estímulos luminosos, o que sugere uma visão funcional mais significativa do que se pensava. O estudo ressalta a necessidade de revisar hipóteses sobre comportamento e ecologia desses tubarões.
Entre os pesquisadores estão Nigel Hussey, especialista em tubarões da Groenlândia, e Jena Edwards, ecologista marinha. Doktorando Eric Ste Marie também participou, em especial na interpretação de observações feitas em missões submersíveis perto de Svalbard, na Noruega, há cerca de cinco anos. A equipe aponta que as descobertas podem alterar percepções sobre mobilidade e alimentação da espécie.
O nascimento de novas evidências coincide com debates sobre a longevidade do tubarão-do-Groenlândia. Estudos anteriores sugeriram que alguns indivíduos podem viver centenas de anos, estimando datas por datação por carbono. Pesquisadores destacam, porém, que esse método tem limitações para idades extremas e exige validação adicional.
A pesquisa reforça que o tubarão-do-Groenlândia é uma espécie de alto interesse científico, especialmente diante das mudanças rápidas no Ártico. A região se aquece em ritmo superior ao observado em outras áreas, o que complica a compreensão sobre como o clima afeta a reprodução, a dieta e o alcance geográfico dos tubarões.
Os cientistas também levantam dúvidas sobre reprodução. A última fêmea grávida registrada data de 1950, e pouco se sabe sobre locais de reprodução e o tamanho de ninhadas. A equipe considera desafiador prever efeitos de mudanças climáticas no ciclo reprodutivo da espécie.
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