- Em Eunápolis, Bahia, a Fazenda Ouro Verde está restaurando a Mata Atlântica em centenas de hectares de pastagem, chegando a 344 hectares de florestas já recuperadas.
- Em dois anos, áreas degradadas ganharam diversidade com mais de 60 espécies e árvores superiores a quatro metros de altura.
- A re.green, criadora do projeto, comercializa créditos de carbono gerados pelas restaurações e planeja ampliar a restauração para cerca de 250 mil hectares até 2030.
- A empresa já atua em projetos em cinco estados e recebeu o Earthshot Prize em reconhecimento aos seus esforços de restauração e proteção da natureza.
- O modelo comercial de restauração visa créditos de carbono certificados (Verra) e envolve comunidades locais, com foco em serviços ecossistêmicos além do carbono.
O plantio de florestas para créditos de carbono pode apoiar a restauração de ecossistemas no Brasil. Em Eunápolis, Bahia, a conversão de mata atlântica em área agrícola ocorreu há séculos, deixando pastagens, monoculturas e solos degradados. Hoje, projetos de restauração buscam reverter esse quadro.
Desde 2022, na fazenda Ouro Verde, a cerca de 30 km da cidade, iniciativas tratam de recuperar a Mata Atlântica em centenas de hectares de pastagem improdutiva. Hoje, 344 hectares já foram restaurados.
Segundo Miguel Moraes, diretor de projetos da re.green, a área transformou-se em uma floresta com mais de 60 espécies, árvores acima de 4 metros e solo menos arenoso. O objetivo é reverter a degradação por meio de espécies nativas.
A re.green, criada em 2021, pretende restaurar 1 milhão de hectares na Amazônia e na Mata Atlântica. A empresa comercializa créditos de carbono e busca benefícios adicionais para pessoas e biodiversidade, além do clima.
A empresa opera em projetos distribuídos por estados como Bahia, Maranhão, Pará, Mato Grosso e Rio de Janeiro. Em 2023, ganhou o Earthshot Prize pelas ações de restauração e proteção da natureza.
O modelo de restauração comercial envolve identificar áreas com maior potencial de recuperação, por meio de IA, drones e dados ecológicos. Em seguida, calcula a lucratividade com base na captura de carbono.
A floresta restaurada oferece serviços ecossistêmicos como produção de água, regulação climática e criação de corredores ecológicos para a biodiversidade, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.
Moraes explica que o manejo envolve preparo do solo, seleção de espécies, métodos de plantio e monitoramento contínuo. A experiência em Ouro Verde reduziu o número de espécies plantadas para acelerar a recuperação.
Otimizar a participação de comunidades locais é parte essencial do processo. Em Maranhão, por exemplo, moradores passaram a coletar sementes nativas para abastecer viveiros e apoiar a restauração, fortalecendo a economia local.
Especialistas apontam que créditos de restauração podem ter maior integridade do que créditos de projetos REDD, com demanda crescente de empresas interessadas em créditos de alta qualidade e benefícios adicionais.
A regulamentação do mercado de carbono brasileiro deve sair até o fim de 2026, mas o comércio atual ocorre no mercado voluntário. A verificação por organizações como Verra está em curso para os créditos da re.green.
Críticos alertam sobre riscos de venda antecipada de créditos e a necessidade de garantias de longo prazo. A empresa defende que a credibilidade vem de metodologia científica e acompanhamento tecnológico.
Além do carbono, os projetos buscam impactos sociais positivos, como envolvimento de comunidades, geração de renda com atividades de semeadura e monitoramento, e fortalecimentos de vínculos entre preservação e uso sustentável da terra.
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