- Estudo aponta que a redução do enxofre nos combustíveis de navios para 0,5% intensificou o branqueamento em massa do Great Barrier Reef em 2022, ao permitir mais energia solar alcançar o oceano.
- Entre 5% e 10% a mais de energia solar atingiu as águas do recife, devido à menor quantidade de enxofre na atmosfera.
- Cerca de 5 mil navios estiveram na região entre 18 e 28 de fevereiro de 2022, quando o aquecimento atingiu o recife.
- O branqueamento de 2022 foi o sexto registrado, ocorrendo em um ano tipicamente mais frio pela La Niña, e está ligado ao aquecimento global.
- Pesquisadores destacam que, mesmo com o efeito local do enxofre, é necessário reduzir emissões de CO₂ para enfrentar o aquecimento global de forma abrangente.
A remoção de enxofre dos combustíveis usados em navios intensificou um episódio de branqueamento de corais no Grande Barreira de Corais em 2022. O estudo aponta que menos poluição fez os navios emitirem menos enxofre, elevando a incidência de luz solar que atinge o oceano.
Pesquisadores liderados pelo astrônomo atmosférico Robert Ryan, da Universidade de Melbourne, analisaram dados de navios entre 18 e 28 de fevereiro de 2022, quando o recife enfrentava o sexto grande branqueamento. Cerca de 5 mil navios estavam na região.
O regulamento da Organização Marítima Internacional, adotado dois anos antes, reduziu o enxofre permitido nos combustíveis de 3,5% para 0,5%. A mudança coincide com o início de um período de aquecimento global que aumenta o estresse térmico.
Detalhes da análise
Usando modelos computacionais, a equipe comparou cenários com e sem as normas de enxofre para estimar a emissão de enxofre e a direção dos ventos que propagariam a poluição atmosférica até o recife.
Conforme o estudo, entre 5% e 10% mais energia solar atingiu as águas do recife devido ao deslocamento do enxofre pelas ventanias predominantes, em comparação ao cenário sem a regulação.
Especialista independente comenta que o efeito local sobre as temperaturas oceânicas pode ser maior do que o impacto global. A pesquisa ressalta que o enxofre tem vida curta na atmosfera, diferente do CO2, exigindo ações simultâneas.
A pesquisa foi publicada na Nature Communications Earth & Environment, reforçando a necessidade de combinar redução de emissões de carbono e de enxofre para proteger ecossistemas vulneráveis como o recife.
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