Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Peritos dizem que alegações de embalagens plásticas recicladas são enganosas

Especialistas dizem que embalagens rotuladas como circulares são, em grande parte, fósseis, prática criticada como greenwashing diante de regulamentação europeia

Manufacturers are promoting so-called sustainable plastics that contain only a tiny amount of waste material.
0:00
Carregando...
0:00
  • Especialistas dizem que rótulos de plástico como “circulares” e de baixo carbono são enganosos, pois grande parte do material continua derivado de petróleo e pouco é realmente reciclado.
  • Grandes marcas europeias, como Heinz Beanz e Philadelphia, utilizam materiais da Sabic, braço petroquímico da Saudi Aramco, uma das maiores emissoras de gases do planeta.
  • O setor usa duas artimanhas contábeis controversas: “massa-balance” e “emissões evitadas”, que atribuem reciclado a lotes específicos ou subtraem o carbono que teria sido liberado com incineração.
  • O uso de pirólise (reciclagem química) é promovido para apresentar uma imagem sustentável, mas o óleo de pirólise representa uma fração pequena do insumo total e depende de grande quantidade de nafta virgem.
  • A União Europeia se prepara para tornar legais essas práticas em 2026, com regulações semelhantes no Reino Unido entrando em vigor em 2027, enquanto grupos e especialistas alertam sobre greenwashing e impactos reais no clima.

A publicidade de embalagens plásticas em várias marcas europeias tem gerado questionamentos sobre a veracidade de afirmações de sustentabilidade. Empresas usam materiais rotulados como circulares e de baixo impacto climático, mas grande parte da composição vem de petróleo. A prática envolve a cadeia de suprimentos da Sabic, unidade petroquímica da Aramco, sediada na Arábia Saudita, maior emissor corporativo de gases de efeito estufa até 2023.

A produção envolve reciclagem química, ou pyrolysis, que transforma resíduos plásticos em insumos reciclados. Contudo, especialistas apontam que esse insumo pode representar no máximo 5% do feedstock, sendo necessário misturá-lo com naphtha virgem para manter as usinas de craqueamento em funcionamento. O restante ainda é derivado de fósseis.

A rotulagem de “reciclado” costuma depender de contabilidade de balanço de massa, prática contestada por analistas. Além disso, há o recurso a “emissões evitadas” ao comparar com a incineração, o que pode reduzir artificialmente as pegadas de carbono associadas. Organizações independentes alertam para o risco de greenwashing.

Quem está envolvido inclui Sabic, parceira de marcas como Kraft Heinz Beanz e Mondelez Philadelphia, além de fornecedores de óleo de pirólise. A Sabic divulgou avaliações de ciclo de vida (LCA), porém críticas surgem sobre a independência dos revisores e sobre a real participação de insumos reciclados no total.

Os reguladores europeus preveem legalizar esse tipo de contabilidade a partir de 2026, com leis similares no Reino Unido previstas para 2027. O objetivo é padronizar rotulagem, mas especialistas dizem que, sem mudanças, o conteúdo reciclado real dificilmente acompanhe as metas anunciadas.

Entre as consequências, há preocupação com o impacto ambiental de todo o processo, que consome energia e gera emissões adicionais. Pesquisadores ressaltam que a percepção de benefícios depende de indicadores reais e não apenas de créditos contábeis ou de números faturados pelas empresas.

Especialistas consultados destacam a necessidade de transparência e de metodologias independentes para confirmar o peso real de materiais reciclados nas embalagens. Temas como confiabilidade de LCAs e a relação entre consumo responsável e práticas de reciclagem continuam sob escrutínio no setor.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais