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Ferramentas de 160.000 anos na China desafiam viés arqueológico

Descoberta em Xigou, China, revela ferramentas entre 72 mil e 160 mil anos com técnicas complexas, desmentindo a visão de atraso tecnológico asiático

Uma ilustração de como a fabricação de ferramentas pode ter sido em Xigou há cerca de 160.000 anos.
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  • No sítio de Xigou, na China central, arqueólogos encontram mais de 2.800 instrumentos de pedra datados entre 72 mil e 160 mil anos atrás.
  • A descoberta, publicada em Nature Communications em 27 de uma terça-feira, indica avanços tecnológicos na região muito antes do que se imaginava.
  • Muitos artefatos são ferramentas compostas, com fragmentos menores que 50 milímetros, mostrando etapas de produção como cortar, furar e raspar, o que sugere planejamento prévio.
  • Ranhuras microscópicas nas peças sugerem uso para cortar plantas e madeira; não está claro qual espécie as manipulou, pois a região foi habitada por denisovanos, Homo juluensis e Homo longi, entre outros.
  • Os achados indicam que, na época de caçadores-coletores, os hominídeos asiáticos já apresentavam comportamentos flexíveis e adaptáveis aos recursos e ao clima local.

Foram encontradas na China ferramentas de pedra que remontam a até 160 mil anos, em um conjunto excepcional de 2.800 artefatos. O sítio de Xigou, na China central, revelou instrumentos datados entre 72 mil e 160 mil anos.

As peças foram localizadas durante escavações realizadas entre 2019 e 2021. Parte dos achados são ferramentas compostas, inseridas ou amarradas a cabos para facilitar o manuseio, o que as torna as mais antigas desse tipo na região.

A maioria dos artefatos é pequena, com menos de 50 mm, e demonstram técnicas elaboradas de corte, perfuração e raspagem. Isso indica planejamento complexo antes da fabricação das ferramentas.

Sob microscópio, ranhuras mínimas sugerem que os instrumentos foram usados para cortar vegetais como plantas e madeira, além de possíveis aplicações em outras matérias-primas.

Não é possível afirmar quais hominídeos produziram as ferramentas. Entre 90 mil e anos atrás, a região abrigava Homo sapiens, Denisovanos, Homo juluensis e Homo longi, entre outros, ainda sem identificação definitiva de autoria.

Os artefatos datam de um período de caçadores-coletores. Eles sugerem comportamento flexível, com adaptação a recursos disponíveis e às condições climáticas da época.

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