- Fósseis de espécies marinhas encontrados no sul da China têm idade estimada de 512 milhões de anos, formando a biota de Huayuan e preservados de forma excepcional.
- A análise de 8.681 espécimes identificou 153 espécies, sendo 91 novas, distribuídas em 16 grandes grupos animais.
- O conjunto fica entre os mais importantes do registro fóssil, comparável à biota do xisto Burgess (Canadá) e à biota de Chengjiang (China).
- Entre os grupos dominantes estavam artrópodes, cnidários e esponjas; havia predadores com membros adaptados para agarrar presas e uma espécie com espinhos que lembra um cacto.
- Os achados ajudam a entender a vida após a extinção em massa ocorrida há cerca de 513,5 milhões de anos e sugerem que criaturas de águas profundas foram menos afetadas; as larvas parecem ter se espalhado pelas correntes desde o Cambriano.
Cientistas desenterraram milhares de fósseis no sul da China, na região de Huayuan, na província de Hunan. A idade estimada dos invertebrados é de 512 milhões de anos, e muitos restos estão extremamente bem preservados, com traços de pernas, brânquias, intestinos, olhos e nervos.
Foram catalogadas 153 espécies a partir de 8.681 espécimes, entre as quais 91 eram desconhecidas até então. Os fósseis pertencem a 16 grandes grupos de animais, principalmente artrópodes, cnidários e esponjas.
Os achadosCompõem o conjunto denominado biota de Huayuan, encontrado em uma única pedreira. O estudo foi publicado nesta quarta-feira na revista Nature, pelos pesquisadores liderados por Han Zeng, do Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing.
Descoberta e contexto
A biota de Huayuan representa um ecossistema marinho profundo, próximo à borda da plataforma continental do sul da China. Os fósseis ajudam a entender a explosão Cambriana e a extinção em massa ocorrida há cerca de 513,5 milhões de anos.
Os autores comparam o conjunto com a biota do xisto Burgess, no Canadá, e a biota de Chengjiang, na China, destacando semelhanças entre espécies. A análise sugere que larvas de invertebrados já se dispersavam por correntes oceânicas naquela época.
Significado científico
Especialistas afirmam que o achado fornece visão única sobre a vida marinha pós-extinção, com animais desde a coluna d’água até o sedimento. A preservação em nível celular permitiu observar estruturas internas e diferentes hábitos de alimentação e mobilidade.
O estudo também aponta que a extinção em massa impactou menos profundamente as espécies de águas profundas do que as de ambientes rasos. A pesquisa destaca a importância de comparação entre biotas antigas para entender adaptações evolutivas.
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