- Mais de cinquenta por cento da expectativa de vida pode ser herdada dos pais, aponta estudo internacional.
- Os dados foram reanalisados a partir de gêmeos vivos na Dinamarca e na Suécia.
- Quando são consideradas apenas mortes por envelhecimento biológico, a genética explica cerca de 54% da variação da longevidade.
- O estudo aponta que análises anteriores subestimaram esse peso ao misturar mortes por causas externas com as relacionadas ao envelhecimento.
- Apresenta o conceito de “hereditariedade da longevidade intrínseca”, usando 15 anos como referência e destacando que metade da variação ainda depende de fatores ambientais e de vida.
Mais da metade da expectativa de vida pode ser herdada dos pais. Essa é a principal conclusão de um estudo internacional que reanalisou dados de gêmeos e aponta um papel relevante da genética na longevidade.
A pesquisa, publicada na revista Science, sugere que genes explicam cerca de 54% das diferenças na duração da vida quando se excluem mortes por fatores externos como acidentes ou doenças infecciosas.
Gêmeos idênticos apresentam maior semelhança na longevidade do que gêmeos não idênticos, o que indica influência genética. Análises anteriores estimavam entre 20% e 25% de herança genética para a longevidade.
Os autores destacam que o resultado depende de como se contabilizam as causas de morte. Mortes por envelhecimento biológico devem ser separadas de causas externas, como infecções ou violência.
O grupo utilizou bancos de dados de gêmeos da Dinamarca e da Suécia e modelos matemáticos para estimar cenários sem mortes externas. O ajuste faz a contribuição genética quase dobrar.
Ao considerar apenas mortes ligadas ao envelhecimento, a herança genética passaria a explicar cerca de 54% da variação na longevidade, semelhante a outras características como altura.
Hereditariedade intrínseca da longevidade
Os pesquisadores propõem o conceito de hereditariedade da longevidade intrínseca, que mede a influência genética apenas sobre o processo biológico de envelhecer, a partir dos 15 anos.
Com esse critério, a proporção de influência genética permanece estável ao longo de períodos históricos, países e métodos de análise, segundo os autores.
Os autores ressaltam que não se pode afirmar que o tempo de vida é definido desde o nascimento. Fatores ambientais e escolhas de vida continuam influentes.
Apesar das limitações, o estudo sugere que a genética pode ter peso maior no envelhecimento do que se pensava, ao menos quando as mortes externas são afastadas.
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