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Ministério da Saúde publica boletim especial sobre hanseníase no Brasil

Boletim aponta continuidade da transmissão da hanseníase no Brasil; em 2024 foram 22.129 casos novos, 4,1% em menores de 15 anos, com diagnóstico tardio e vulnerabilidade social

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  • Em 2024 foram registrados 22.129 casos novos de hanseníase, com taxa de detecção de 10,41 por 100 mil habitantes.
  • No período de 2015 a 2024, o Brasil notificou 301.475 casos, sendo 79% classificados como novos; houve queda durante a pandemia, mas a transmissão continua ativa.
  • As regiões Norte e Centro-Oeste apresentaram as maiores taxas de detecção; em 2024, Mato Grosso e Tocantins tiveram as taxas mais elevadas.
  • Casos em menores de 15 anos representaram 4,1% dos diagnósticos em 2024, o que sinaliza transmissão persistente; o exame de contatos continua essencial para interromper a cadeia de transmissão.
  • Do perfil sociodemográfico, 72% dos casos novos em 2024 ocorreram entre pessoas pretas ou pardas; 11,5% dos diagnósticos já tinham grau 2 de incapacidade física no momento da detecção, com aumento do abandono de tratamento.

O Ministério da Saúde divulgou o Boletim Epidemiológico Especial de Hanseníase, referente ao período de 2015 a 2024. O documento apresenta o perfil epidemiológico da doença no Brasil, com destaque para o ano de 2024 e a situação da população em geral e de menores de 15 anos. O foco é a detecção, o tratamento e as incapacidades associadas à hanseníase.

Em 2024 foram registrados 22.129 casos novos, com taxa de detecção de 10,41 por 100 mil habitantes. O total de casos notificados entre 2015 e 2024 chegou a 301.475, dos quais 79% foram classificados como novos. A transmissão permanece ativa em várias regiões, mesmo com reduções observadas durante a pandemia de Covid-19.

O boletim ressalta a importância de ações de vigilância de contatos, diagnóstico precoce e tratamento oportuno, além de prevenção de incapacidades físicas e combate ao estigma. A diretora do Departamento de Doenças Transmissíveis, Marília Santini, destaca que as estratégias estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e às diretrizes da OMS, visando reduzir a carga da doença e promover equidade em saúde.

Panorama por região e faixa etária

As regiões Norte e Centro-Oeste apresentaram as maiores taxas de detecção ao longo da série histórica, com Mato Grosso e Tocantins concentrando os indicadores mais elevados em 2024. Casos em menores de 15 anos representaram 4,1% dos diagnósticos no ano, sinalizando transmissão persistente.

Ainda em 2024, 72% dos casos novos ocorreram entre pessoas autodeclaradas pretas ou pardas, indicando forte associação com contextos de vulnerabilidade social. Observa-se redução na proporção de analfabetos entre os casos ao longo do período analisado.

Desafios apontados pelo boletim incluem diagnóstico tardio, com 11,5% dos casos novos apresentando grau 2 de incapacidade física no momento do diagnóstico, e aumento da proporção de casos multibacilares nos últimos anos. Também houve queda na taxa de cura e aumento do abandono do tratamento, o que reforça a necessidade de fortalecimento da atenção integral.

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