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Isabel Esterman na Mongabay mostra a longa trajetória da reportagem ambiental

Linha de investigação de longo prazo molda políticas de conservação na Ásia e África, fortalecendo proteção de espécies com relatos locais e sustentados

Esterman in Ciwidey, West Java, Indonesia, in 2010. Image courtesy of Isabel Esterman.
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  • Isabel Esterman, diretora executiva da Mongabay para o Sudeste Asiático desde 2016, defende jornalismo de longo prazo, mantendo a apuração mesmo após os primeiros holofotes.
  • Na Mongabay, a cobertura contínua já revelou que a população de rinoceronte-de-sumátra estaria muito menor do que estimativas oficiais indicavam no início da série.
  • Um acordo de créditos de carbono na Malásia, anterior a metas de conservação, enfrentou atrasos e agora receberá maior escrutínio se for adiante.
  • As restrições de liberdade de imprensa na região filtram o que é publicado, levando a details retidos para proteger pessoas, espécies ou por razões legais.
  • Esterman valoriza jornalistas locais, destacando a importância de reportagens sobre países como as Filipinas escritas por repórteres locais para a credibilidade e impacto global.

Isabel Esterman atua na Mongabay desde 2016 e hoje é editora-geral para o Sudeste Asiático. Sua atuação se baseia em manter o foco por longo tempo, permitindo que evidências se tornem mais fortes com o tempo.

Para ela, a reportagem não é apenas uma história isolada, e sim um corpo contínuo de apurações. “Não é uma única reportagem, mas um conjunto de reportagens que se mantêm relevantes”, diz a executiva.

Um exemplo citado é o rinoceronte de Sumatra (*Dicerorhinus sumatrensis*). Quando o portal iniciou a cobertura persistente, estimativas oficiais passavam de 100 animais, mas a apuração sugeriu algo próximo de 30. Com o tempo, os números oficializados mudaram.

Esterman afirma que a revisão das métricas foi útil para a conservação. Ter uma estimativa mais realista facilita ações de proteção e planejamento de preservação. A prática reforça a importância de dados confiáveis.

Outro caso envolve um projeto de crédito de carbono na Malásia. A Mongabay já acompanhava questões de terras e direitos indígenas, o que ajudou a sinalizar riscos. O acordo ficou paralisado e, se avançar, deverá passar por maior escrutínio público.

A atuação da editora hoje está mais ligada ao julgamento de riscos do que a autoria de notícias, especialmente em um contexto de maior repressão à imprensa no Sudeste Asiático. Fontes enfrentam retaliações e jornalistas também sofrem pressões.

Esses entraves moldam o que é publicado, com detalhes cortados para proteção de pessoas ou espécies. Leads podem permanecer sem publicação por razões legais ou de segurança. A notícia publicada costuma ser apenas um retrato de uma apuração mais ampla.

Esterman valoriza a diversidade de vozes na reportagem ambiental, defendendo que jornalistas locais deem voz a temas locais. Ela acredita que é relevante para o público global ler histórias do país de origem do relato, feitas por repórteres locais.

Além da Ásia, a Mongabay atua na África via o Apes Project, que já ajudou a reconfigurar a compreensão de tráfico ao investigar a demanda por uso ritual, não apenas por carne ou animais de estimação. A mudança orienta soluções.

Ao olhar a trajetória, ela tende a favorecer trabalhos com substância após a primeira divulgação, quando a cobertura pode ter impacto duradouro. Segundo Esterman, é nesse momento que a imprensa ainda tem poder de influência.

Esta entrevista integra a série Inside Mongabay, que mostra quem está por trás das reportagens e como o trabalho é produzido.

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