- Mais de 100 milhões de pessoas nos EUA sofrem com MASLD, doença que acumula gordura no fígado e pode evoluir para inflamação e fibrose.
- Pesquisadores do MIT criaram um modelo de tecido que reproduz com mais precisão a arquitetura do fígado, incluindo vasos sanguíneos e células imunes.
- O novo modelo mostra inflamação e disfunção metabólica características dos estágios iniciais da doença, oferecendo uma ferramenta para testar tratamentos.
- O estudo, publicado na Nature Communications, faz parte de um esforço para usar sistemas micromecânicos de fisiologia humana para entender melhor a biologia do fígado.
- Em pesquisa relacionada, revelou-se que resmetirom pode desencadear resposta inflamatória no tecido hepático, o que pode explicar por que o medicamento não funciona para todos os pacientes com MASH.
Dois novos modelos de tecido prometem avançar o estudo de doenças hepáticas associadas ao acúmulo de gordura. Desenvolvidos por engenheiros do MIT, eles reproduzem com maior fidelidade a arquitetura do fígado, incluindo vasos sanguíneos e células imunes. O objetivo é testar tratamentos com mais precisão.
Os pesquisadores apresentaram os modelos na Nature Communications. Eles demonstram que o sistema imita inflamação e disfunção metabólica presentes nos estágios iniciais de MASLD, abrindo caminho para identificar alvos terapêuticos e validar drogas.
O trabalho faz parte de uma linha de pesquisa do MIT que utiliza sistemas microfisiológicos para estudar a biologia do fígado humano, difícil de reproduzir em modelos animais. Estudos anteriores exploraram respostas a fármacos como resmetirom.
Desenho do chip e do modelo
A equipe ajustou um dispositivo microfluídico conhecido como LiverChip para recriar MASLD. O chip facilita o cultivo de tecidos hepáticos 3D a partir de hepatócitos, simulando fluxo sanguíneo e interação com células imunes. O objetivo é prever efeitos de novas drogas no fígado.
Para induzir MASLD, os pesquisadores expuseram o tecido a insulina em excesso, glicose alta e ácidos graxos. O modelo apresentou acúmulo de gordura e resistência à insulina, características da doença. Subsequentes tratamentos com resmetirom mostraram aumento de sinais inflamatórios.
Vascularização e resposta imune
A inovação central foi fazer o tecido desenvolver uma rede vascular íntima, permitindo circulação de células imunes e suprimento de nutrientes. Esse avanço permite observar como inflamação e remodelação vascular aparecem em MASLD.
A equipe registrou que, à medida que a resistência à insulina se estabelecia, surgiam alterações no metabolismo hepático e na permeabilidade dos vasos. Monócitos migraram para o tecido, simulando infiltração imune típica de doença hepática.
Implicações e próximos passos
Os resultados ajudam a entender por que nem todo paciente responde a terapias thyromiméticas, como o resmetirom. Pesquisadores destacam a importância de modelos mais realistas para testar quando e para quem cada droga pode ser eficaz.
Os estudos ressaltam a necessidade de novas drogas além das já aprovadas para MASH, visando terapias mais amplas. A expectativa é que os modelos melhorem a identificação de alvos e a validação de tratamentos em estágios precoces da doença.
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