- Em dois mil e seis, Paul Ferraro e Subhrendu Pattanayak alertaram que a conservação carecia de evidência causal para saber o que realmente funciona.
- Em dois mil e oito, Kwaw Andam e colegas mostraram que áreas protegidas pareciam reduzir a deflorestação de forma menos eficaz do que se pensava, devido ao viés de localização.
- O texto destaca que depender de correlação pode levar a interpretações erradas; é preciso considerar contrafactuais e mecanismos que conectam a intervenção ao resultado.
- Avanços existem: mais avaliações de impacto, mas grande parte permanece em universidades; poucas organizações avaliam impacto de forma prática e abrangente.
- Fundadores como a Arcus Foundation, em parceria com a Society for Conservation Biology, estão testando formas de incentivar aprendizado causal e avaliação de impacto entre organizações e financiadores.
Conservação precisa de evidência causal para medir impacto, alertaram Ferraro e Pattanayak em 2006, quando apontaram a falta de provas de causa e efeito nas ações de preservação. Decorridos quase 20 anos, a crítica continua relevante diante de declines na biodiversidade e uso restrito de recursos.
Estudos que reconsideraram resultados anteriores mostraram que áreas protegidas podem parecer eficazes por estarem distantes de estradas e áreas povoadas, não necessariamente por causa da proteção. A localização de áreas de conservação influencia os resultados observados, destacando a importância do raciocínio causal.
A ideia central é seguir além da correlação: é preciso analisar cenários contrafactuais e mecanismos que conectam a intervenção ao resultado. Investigações com abordagem causal ajudam a distinguir o que realmente dirige mudanças em florestas, espécies e comunidades locais de manejo.
Evolução do reconhecimento da causalidade
Quase duas décadas após o alerta original, houve avanço na prática de avaliar impactos. Embora existam revisões e avaliações de projetos, muitos trabalhos permanecem de natureza acadêmica e de difícil generalização para gestores sem base estatística.
Apesar disso, organizações têm feito avaliações próprias em parcerias com universidades, ampliando o uso de métodos de avaliação de impacto. A extensão desse trabalho ainda é desigual, com a maioria das iniciativas não avaliando impacto de maneira aprofundada.
O papel dos financiadores
Especialistas defendem que financiadores incentivem a aprendizagem em vez de apenas exibir resultados. A proposta é reconhecer avaliações causais, independentemente de o resultado ser positivo ou não, para favorecer gestão adaptativa.
A Arcus Foundation tem testado um programa piloto em conjunto com a Society for Conservation Biology. A iniciativa busca fortalecer capacidades de avaliação de impacto entre parceiros, promovendo pensamento contrafactual e inferência causal sem exigir protocolos rígidos.
Desafios práticos e caminhos
Ainda há desafios técnicos, mas parcerias entre pesquisadores e gestores ajudam a superar barreiras. Métodos qualitativos, quando aplicados com rigor, podem indicar se programas funcionam e abrir espaço para abordagens quantitativas.
A avaliação causal demanda tempo e condições de campo, exigindo mudanças na cultura de organizações e financiadores. O objetivo é avançar para que a avaliação de impacto seja prática comum, não exceção, no trabalho de conservação.
Perspectiva atual e próximos passos
A busca por evidência causal continua como instrumento de aprendizagem e melhoria. A tendência é que mais organizações integrem avaliação causal em suas rotinas, aproximando prática de conservação de decisões baseadas em evidência.
Tanya O’Garra, autora deste texto, é pesquisadora na National University of Singapore e coordena o Grupo de Trabalho de Avaliação de Impacto da SCB. Entre os financiadores, discutem-se acordos que incorporem aprendizado como meta, não apenas demonstração de sucesso.
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