Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Nova exposição liga paralelos do século XIX ao fascínio de Trump pela Groenlândia

Exposição revela paralelos entre a febre do Ártico no século XIX e a insistência dos EUA sobre Groenlândia, destacando valor estratégico e impactos históricos

The Large British Steamer Bulldog, the American Ship Nautilus, and Other Ships at Nuuk, 1860 (title translated by Richard Margolis) by Aalut Kangermiu (also known as Aron of Kangeq), from the first issue of the Kalaallit (Greenlandic) newspaper Atuagagdliutit, 1 January 1861.
0:00
Carregando...
0:00
  • O museu universitário de Toronto abriu a exposição Arctic Fever, reunindo litografias, livros e mapas sobre exploração ártica do século XIX, com destaque para o interesse norte-americano em Groenlândia e Islândia.
  • A mostra traça paralelos entre esse interesse histórico e a atual busca pelo Ártico, destacando ambição, hubris e a disputa por recursos na região.
  • Pesquisadores ressaltam que, em 1867, o secretary of state William Seward já defendia a aquisição da Groenlândia e da Islândia pelo valor estratégico.
  • A exposição ressalta papéis de figuras como Iligliuk, parente Inuíta que colaborou com mapas e conhecimentos úteis para navegadores, e de exploradores como William Parry e Sir John Franklin.
  • O material também aborda a evolução da visão sobre o Ártico, de rota de passagem a território para colonização, e a importância de reconhecer as populações indígenas e o impacto do aquecimento global.

O Arctic Fever é uma exposição lançada pela Biblioteca de Coleções Raras Thomas Fisher, da Universidade de Toronto, que reúne litografias, livros, mapas e ephemera do século XIX. A mostra destaca a exploração ártica e traça paralelos com a atual corrida por Greenland e pelo Ártico. Um destaque é a referência a um cargueiro americano que esteve em Nuuk em 1861, notícia na época através de um jornal local colorido.

Acuradas curadorias associam as peças a um período em que o interesse pela região era movido por ambição, domínio e recursos naturais. A exposição reúne trabalhos de etnógrafos, cartógrafos e exploradores, além de materiais que evidenciam o longo vínculo dos Estados Unidos com Greenland. Autores e instituições destacam a continuidade desse tema na política externa contemporânea.

Entre os objetos, há referências a mapas de Ibiliuq e a relatos de navegações que moldaram a compreensão europeia do Norte. A mostra aborda a visão de povos indígenas sobre o território, contrapondo com a narrativa de conquista de exploradores europeus e norte-americanos. O acervo inclui documentos que revelam a comunicação entre navegadores e comunidades locais.

A curadoria ressalta que a história ártica não é única, formando um mosaico de trajetórias. Isabelle Gapp, historiadora de arte, aponta que a narrativa atual frequentemente reduz o Ártico a um espaço de confronto com a natureza, quando há uma presença humana rica há séculos. Mark Cheetham, outro curador, acrescenta a evolução da percepção territorial na região.

Guardadas as dívidas históricas, a exposição também contextualiza o papel de exploradores modernizados, como as buscas pelo Northwest Passage. A retrospetiva cita o caso de Sir John Franklin e as expedições subsequentes, que, sem sucesso, geraram um acervo de estudos sobre o Ártico. Além disso, o público encontra artefatos humanos, como peças teatrais usadas durante longas noites de inverno.

O material exibe como o conhecimento local, incluindo saberes inuit, influenciou rotas e decisões navegacionais. Iligliuk, por exemplo, é destacada por sua capacidade de traduzir observações do terreno em informações úteis para navegadores, evidenciando outra lógica de tempo e espaço no polo norte.

A mostra também reconhece o papel dos povos indígenas no uso sustentável da terra e das águas, contraponto à ideia de território dominado pela força externa. A curadoria observa que, mesmo diante das mudanças climáticas, as dinâmicas de posse e exploração permanecem na mira de nações e comunidades locais.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais