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Parece real, mas pode não ser: por que não dá mais para confiar no que se vê

Na era das deepfakes, provas visuais podem enganar executivos e ferir credibilidade, elevando riscos financeiros e desinformação em ano eleitoral

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  • A era dos deepfakes fungou como desafio à credibilidade de fotos, vídeos e áudios, tornando difícil confiar no que parece real.
  • Casos reais mostram golpes com validação falsa: um funcionário transferiu US$ 25,6 milhões ao achar que seguia uma ordem do chefe, após ver correspondência de executivos em vídeo; no total, foram cerca de R$ 125 milhões em 15 transferências.
  • A tecnologia de falsificação já atinge situações cotidianas, não apenas grandes empresas, com exemplos recentes de imagens e vozes criadas para enganar.
  • Um episódio na Índia ilustra o golpe: via IA, uma cartela de ovos foi “danificada” virtualmente para obter reembolso total de 245 rúpias no Swiggy Instamart.
  • Com o aumento de desinformação em redes sociais e no contexto de eleições, o jornalismo confiável surge como antídoto para filtrar informações e combater fraudes.

Em meio ao crescimento de deepfakes, especialistas alertam para a erosão da credibilidade de imagens, vídeos e áudios como fontes de informação confiáveis. O fenômeno permite que conteúdos falsos sejam criados com aparente realismo, ampliando golpes. A tecnologia deixa de ser apenas curiosidade tecnológica e passa a risco para negócios, decisões judiciais e eleições.

Profissionais e leigos podem reproduzir falsificações com poucos cliques, segundo análises recentes. Antes, isso exigia tempo e recursos; hoje, ferramentas de IA facilitam a produção de material falso com qualidade suficiente para enganar usuários comuns.

Casos que expõem o risco real

No ano passado, um funcionário transferiu US$ 25,6 milhões após acreditar estar atendendo a ordens de chefia. A confirmação veio por meio de uma videochamada com diretores falsos. Ao ver conversas no chat com executivos, ele autorizou 15 transferências para cinco contas, somando cerca de R$ 125 milhões. A fraude só foi percebida após confirmar a sede da empresa.

A fraude não ficou restrita a grandes corporações. Um caso divulgado no X envolve uma entrega de supermercado na Índia, na plataforma Swiggy Instamart. O usuário pediu reembolso total após a entrega, e a IA do Google transformou uma ocorrência isolada em um suposto dano generalizado, gerando um reembolso de 245 rúpias em poucas horas. As imagens usadas na conversa com o atendimento exibiam a versão distorcida da suposta avaria.

O impacto na sociedade e no debate público

Especialistas destacam que golpes com recriação de imagens podem atingir qualquer pessoa ou empresa, inclusive em situações diárias. A circulação de conteúdos manipulados aumenta a desinformação em redes sociais, complicando interpretações de notícias, campanhas políticas e decisões de consumo.

A cobertura jornalística responsável é apontada como ferramenta de proteção contra a desinformação. Vigilância, verificação de fatos e transparência em fontes continuam sendo pilares para manter a credibilidade da informação em tempos de IA avançada.

Sendo assim, a blindagem contra deepfakes depende de educação midiática, investimento em checagem e padrões rigorosos de apuração, para que o público tenha acesso a conteúdos fiéis, mesmo diante de tecnologias cada vez mais sofisticadas.

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