- Estudo acompanhou 119 chimpanzés no Ngogo Chimpanzee Project, em Uganda, com idades entre cerca de dois e 65 anos, usando vídeos de 2020 e 2021.
- Chimpanzés ainda filhotes, com até 5 anos, são mais propensos a realizar manobras arriscadas no voo entre galhos ou ao se lançarem, sem se segurarem.
- O padrão observado difere do humano: humanos tendem a mais riscos na adolescência, enquanto nos chimpanzés o pico ocorre na primeira infância.
- Pesquisadores sugerem que o cuidado parental e a estrutura social humanas podem reduzir esses riscos em crianças, o que não acontece da mesma forma entre chimpanzés.
- O estudo destaca a importância de observar animais no ambiente natural para entender desenvolvimento motor e evolução, ressaltando que Ngogo abriga a maior comunidade de chimpanzés do mundo.
A pesquisa mostra que chimpanzés tomam mais riscos físicos na infância do que na adolescência, ao contrário do padrão humano. O estudo acompanhou 119 indivíduos no Ngogo Chimpanzee Project, em Uganda, entre 2020 e 2021, analisando quedas e saltos sem segurar galhos.
Os pesquisadores observaram que filhotes e jovens chimpanzés de até 5 anos realizavam manobras arriscadas entre os galhos, diferentemente de juvenis e adultos. A maior propensão a “voar” entre as copas foi registrada na primeira metade da vida.
O trabalho, liderado por Bryce Murray da Universidade de Michigan, aponta que a prática pode favorecer o desenvolvimento motor. Entretanto, o excesso de estresse pode causar fraturas e prejudicar o crescimento, dependendo da idade.
Contexto e implicações
Lauren Sarringhaus e Laura MacLatchy colaboraram na coleta e na interpretação dos dados, publicados em iScience. O estudo utilizou vídeos de 2020 e 2021 com foco em comportamentos de queda e salto por faixa etária.
A equipe considerou o ambiente natural de Ngogo, no Kibale National Park, para entender os riscos em condições reais. O local abriga uma das maiores comunidades de chimpanzés do mundo, facilitando comparações entre idades.
Os autores apontam que o cuidado parental humano pode reduzir esses comportamentos arriscados em crianças, ao contrário do que ocorre entre chimpanzés. O estudo sugere que a proteção social humana influencia padrões de risco na primeira infância.
Pesquisadores destacam que a relação entre tomadas de risco e outras decisões, como escolhas econômicas, ainda precisa de mais evidência. O estudo reforça a importância de observar comportamentos na vida selvagem para compreender a evolução humana.
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