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Toxina botulínica e enxaqueca: médico esclarece uso de botox

Toxina botulínica, conforme o protocolo PREEMPT em trinta e um pontos, pode reduzir crises de enxaqueca; Paula Fernandes relata controle sem medicações

Paula Fernandes usa botox no tratamento contra enxaqueca. Funciona mesmo? Tem diferença do procedimento estético? Médico tira todas as dúvidas
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  • Paula Fernandes revelou uso de toxina botulínica para tratar enxaqueca, em tratamento no Headache Center Brasil, em São Paulo.
  • A toxina atua bloqueando a sinalização de dor no neurônio sensitivo, reduzindo a frequência e a intensidade das crises.
  • O protocolo PREEMPT envolve 31 pontos de aplicação, buscando nervos específicos e não apenas músculos; aplicação inicial a cada três meses.
  • Em alguns pacientes, o tratamento pode ser associado a anti-CGRP (Fremanezumabe ou Galcanezumabe), não substituindo a toxina botulínica.
  • Não há contraindicação conhecida; gestantes ou lactantes podem realizar o tratamento; Paula relata controle das crises há mais de três anos, com suspensão de medicações.

A cantora Paula Fernandes revelou publicamente o uso de toxina botulínica para tratar a enxaqueca. A informação veio durante entrevista em que falou sobre a própria experiência com a doença, que a acompanhou por anos. Ela disse ter buscado tratamento em busca de qualidade de vida.

Em São Paulo, Paula faz acompanhamento no Headache Center Brasil, um centro especializado em dor de cabeça. O hospital trabalha com um tratamento integrado, que foge do uso exclusivo de analgésicos e busca reduzir crises e impactos da doença no bem-estar.

Para esclarecer dúvidas sobre o tema, o portal Purepeople consultou o neurologista Tiago de Paula, especialista em cefaleia pela EPM/UNIFESP e membro de entidades como IHS e SBC. Ele explica como a toxina botulínica atua e como é aplicada.

Como a toxina botulínica age na enxaqueca

A toxina age no nervo sensitivo, bloqueando a liberação de sinais de dor. Com esse bloqueio, o cérebro recebe menos estímulos dolorosos, o que reduz a frequência e a intensidade das crises. O efeito ocorre principalmente nos nervos periféricos.

Os pontos de aplicação seguem o protocolo PREEMPT, criado em 2011. Ao todo, são 31 pontos focalizados na região neural, não apenas nos músculos. Em casos específicos, podem surgir pontos extras conforme a necessidade do paciente.

Frequência e materiais utilizados

Durante o início do tratamento, as aplicações ocorrem a cada três meses, conforme o protocolo PREEMPT. Após estabilização, o intervalo pode variar entre três e quatro meses, mantendo pelo menos oito ciclos do protocolo básico.

A substância indicada para enxaqueca crônica é a toxina botulínica A. Em estética, outras formulações podem ser usadas, mas para enxaqueca apenas a forma A é aprovada. A aplicação visa bloqueio nervoso, não o músculo, o que explica efeitos colaterais estéticos em alguns casos.

Combinação com outras opções terapêuticas

Em casos graves, a toxina pode ser associada a outras medidas. Entre elas, o anti-CGRP, com opções como Fremanezumabe e Galcanezumabe, administradas mensalmente ou trimestralmente. O uso combinado costuma acelerar a melhora, sem substituir a toxina.

Não há contraindicação específica para a prática durante gestação ou amamentação, segundo o médico. A escolha pelo tratamento depende do quadro do paciente e pode exigir ajustes ao longo do tempo.

Caso da Paula Fernandes

Paula Fernandes, que já luta contra a enxaqueca há mais de três anos, relatou diminuição progressiva das crises com a toxina. Segundo o médico, a paciente mantém controle significativo ao seguir o protocolo e evitar fatores que pioram a doença.

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