- Brasil vai produzir o primeiro fitoterápico industrializado a partir da quebra-pedra (Phyllanthus niruri), desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz).
- O medicamento poderá ser distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o desenvolvimento deve terminar em menos de seis meses, com estudos adicionais de cerca de dois anos antes de entrar na lista de fitoterápicos do SUS.
- O projeto é feito em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com financiamento de R$ 2,4 milhões.
- A planta é tradicionalmente usada na forma de chá para prevenir pedras nos rins; estudos já indicaram potencial para tratamento de distúrbios urinários e, principalmente, para prevenir a formação de cálculos.
- O benefício do fármaco industrializado é ter produção padronizada e controle de qualidade, reduzindo riscos de uso inadequado de chás caseiros e possíveis efeitos adversos.
A FioCruz anunciou o desenvolvimento de um novo medicamento fitoterápico, a partir da quebra-pedra, planta tradicional usada para prevenir e tratar pedras nos rins. O projeto envolve parceria com o Ministério do Meio Ambiente e o PNUD e pode ser o primeiro fármaco industrializado em laboratório público brasileiro a ser distribuído pelo SUS. O objetivo é chegar à fase de estudos em menos de seis meses, seguido de avaliação adicional de dois anos.
A planta Phyllanthus niruri, conhecida como quebra-pedra, é comum em todo o Brasil e ganha destaque por seu uso histórico como chá para distúrbios urinários. A expectativa é que o fármaco permaneça fiel às evidências de segurança e eficácia, reduzindo variações associadas às preparações caseiras.
A iniciativa é financiada com 2,4 milhões de reais provenientes do projeto Fitoterápicos, do PNUD, com coordenação do Ministério do Meio Ambiente. O dinheiro será destinado à aquisição de equipamentos, insumos e serviços necessários à produção do medicamento.
Elementos da pesquisa e produção
A quebra-pedra já havia sido associada a potencial redução de cálculos renais em estudos prévios. Em uma amostra de 56 pessoas, resultados apontaram participação da planta na eliminação de cálculos. Além disso, há indicativos de efeitos diuréticos e anti-inflamatórios em pesquisas anteriores.
O benefício mais sólido, segundo a ciência, é a prevenção da formação de cálculos, ao impedir o acúmulo de cristais de oxalato de cálcio. A planta também pode relaxar o sistema urinário, facilitando a eliminação de pedras.
Segurança, qualidade e agenda
Ainda não há medicamento disponível no mercado que atue em todas as etapas da formação de cálculos renais. O novo fármaco poderá preencher essa lacuna, com fabricação industrial sujeita a padrões rigorosos. Assim, evita riscos associados a preparações caseiras, como contaminação ou variação de dose.
Segundo a pesquisadora da FioCruz, Maria Behrens, o objetivo é entregar um produto farmacêutico com qualidade padronizada, reduzindo efeitos adversos provenientes de plantas mal utilizadas ou adulteradas. A expectativa é avançar para a lista de fitoterápicos do SUS após as fases de estudo.
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