- Em 25 de janeiro, chuvas intensas associadas ao ciclone Harry provocaram um deslizamento em Niscemi, abrindo um fenda de 4 quilômetros e um precipício de 25 metros.
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- Mais de 1.600 pessoas foram evacuadas; parte do centro histórico está em risco, incluindo igrejas do século XVII.
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- A pizzeria A Barunissa está entre os imóveis a serem abandonados; o proprietário Benedetta Ragusa teve minutos para salvar o que pôde.
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- A Biblioteca Marsiano fica na zona vermelha, com mais de 4 mil livros raros, e o acesso para recuperação está indisponível, deixando incerta a guarda do acervo.
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- A procuradoria de Gela abriu investigação por possível desastre culposo; especialistas dizem que o episódio reflete vulnerabilidade hidrogeológica e políticas de urbanização no país agravadas pela crise climática.
Na cidade de Niscemi, na Sicília, uma enxurrada de chuva ligada ao Ciclone Harry provocou deslizamentos que abriram um abismo de 4 km ao longo do morro da cidade. A catástrofe deixou mais de 1.600 pessoas evacuadas até o momento, com casas e vias agrícolas comprometidas e parte do tecido urbano arrastado para o vale.
No entorno da área atingida, dezenas de imóveis permanecem suspensos sobre o clareira de rocha, enquanto veículos e trechos de via caem aos poucos. Comunidades inteiras foram deslocadas, e ruas centrais históricas estão sob risco de desmoronar.
As autoridades estabeleceram zonas vermelhas em torno do sul da cidade, incluindo 17erros séculos de igrejas que podem desabar a qualquer momento. Muitas pessoas estão acolhidas por parentes ou recolhidas em acomodações temporárias, como pensões e casas de hóspedes.
Desdobramentos e ações de resgate
A biblioteca pública Biblioteca Marsiano fica à beira do vazio, com o sótão abrigando mais de 4 mil livros raros. A área permanece fora de alcance para bombeiros, o que deixa incerta a recuperação do acervo. Voluntários atuam ao lado de equipes de resgate para orientar evacuações e recolher pertences.
Entre os estabelecimentos ameaçados está a pizzaria A Barunissa. O proprietário, Benedetta Ragusa, disse que teve apenas minutos para salvar equipamentos e móveis antes do avanço do deslizamento, sinalizando o fim do negócio na área de risco.
Um desabamento anterior, na semana passada, viu uma edificação de três andares romper a borda do penhasco e cair no talude descrito pela cratera. O episódio evidencia a gravidade da situação e o risco contínuo para moradores da região.
Contexto e consequências
Especialistas destacam que o desastre de Niscemi representa um retrato da crise climática na região do Mediterrâneo, onde políticas de urbanização ordenadas com planejamento adequado foram históricamente negligenciadas. A cidade repousa sobre solos argilosos, suscetíveis a movimentos em função de chuvas intensas.
Autoridades municipais e estaduais já destacam a necessidade de avaliar políticas urbanísticas e de gestão de riscos. O Ministério Público da região abriu apuração sobre possível negligência na gestão de riscos, com coleta de imagens e depoimentos previstos.
A análise de especialistas aponta que, desde a Segunda Guerra Mundial, houve investimentos que favoreceram expansão urbana em áreas de vulnerabilidade hidrogeológica. A situação atual reitera a urgência de estratégias de adaptação climática e de responsabilização por falhas de planejamento.
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