Um jovem brasileiro conseguiu realizar pequenos movimentos nas mãos após ter sido tratado com poliamilina. “É um movimento mínimo, mas é diferente do que eu via antes”, disse o militar Luiz Otávio Santos Nunes. A aplicação foi realizada em 21 de janeiro, no Hospital Militar de Campo Grande (MS), e faz parte de estudos que […]
Um jovem brasileiro conseguiu realizar pequenos movimentos nas mãos após ter sido tratado com poliamilina. “É um movimento mínimo, mas é diferente do que eu via antes”, disse o militar Luiz Otávio Santos Nunes. A aplicação foi realizada em 21 de janeiro, no Hospital Militar de Campo Grande (MS), e faz parte de estudos que serão analisados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Cerca de 12 dias após a aplicação da substância, o paciente notou um retorno dos movimentos na ponta de um dos dedos.
Tetraplégico desde outubro de 2025, Luiz Otávio também voltou a sentir atividade nos nervos das pernas, região em que havia perdido a mobilidade e a sensibilidade. O processo de reabilitação inclui também sessões de fisioterapia, apontadas por ele como parte essencial da recuperação.
O que é a poliamilina e por que ela é considerada a esperança para os que perderam a mobilidade?
A polilaminina é uma proteína recriada em laboratório a partir da laminina, substância presente no desenvolvimento embrionário e relacionada à conexão entre neurônios. Em casos de lesão medular, as fibras nervosas são interrompidas, impedindo que os comandos elétricos do cérebro cheguem ao restante do corpo. A proposta do tratamento é estimular o crescimento dessas fibras e favorecer a retomada parcial da comunicação neural.
A descoberta brasileira por trás da substância
A pesquisa que deu origem à polilaminina foi conduzida por uma cientista brasileira, a professora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ao longo de décadas, ela se dedicou a estudar proteínas envolvidas no desenvolvimento do sistema nervoso, buscando alternativas para reparar danos na medula espinhal.
Segundo relatos da própria pesquisadora, a ideia surgiu a partir da observação do papel da laminina durante a formação do embrião, quando os neurônios ainda estão em crescimento. A hipótese era reproduzir, em laboratório, um ambiente semelhante ao desse estágio inicial para estimular a regeneração das fibras nervosas em pacientes com lesões graves.
A trajetória científica também foi marcada por desafios, incluindo anos de experimentos e busca por financiamento para transformar a descoberta em aplicação clínica. Hoje, o avanço do estudo representa um marco simbólico para a ciência brasileira, ao colocar uma pesquisadora nacional no centro de uma possível inovação terapêutica para pessoas que perderam movimentos após traumas na medula.
Entre na conversa da comunidade