- Incêndios na Chile deixaram 23 mortos, destruíram mais de 1.000 casas e obrigaram 52.000 pessoas a fugirem, principalmente nas regiões de Biobío e Ñuble, em janeiro.
- Condições de calor, seca e ventos fortes tornaram as queimadas cerca de três vezes mais prováveis por aquecimento global, segundo o consórcio World Weather Attribution.
- Na Argentina, incêndios atingiram o parque nacional Los Alerces, na Patagônia, que abriga árvores de alerce com mais de 3.000 anos.
- A destruição é vista em parte como consequência de cortes orçamentários na defesa contra incêndios pelo governo de Javier Milei.
- Cientistas dizem que o aumento de eventos climáticos extremos deve persistir até que haja redução no uso de combustíveis fósseis, com a seca agravando os verões na região.
O estudo do consórcio World Weather Attribution (WWA) associa as queimadas da Patagônia a condições climáticas extremas intensificadas pela crise climática. Em Chile e Argentina, incêndios causaram mortes, destruição de acervos naturais e deslocamento de milhares. A pesquisa analisa o período de janeiro, marcado por calor, seca e ventos fortes.
Na prática, os pesquisadores estimaram que as condições de calor extremo e baixa umidade tornaram os incêndios cerca de três vezes mais prováveis devido ao aquecimento global. Os dados utilizam registros meteorológicos e modelos climáticos para mensurar esse risco.
No Chile, as regiões de Biobío e Ñuble declararam estado de catástrofe na metade de janeiro. O fogo deixou ao menos 23 vítimas, mais de 1.000 casas destruídas e 52 mil pessoas deslocadas. Temperaturas acima de 37°C e ventos intensos foram fatores decisivos.
Na Argentina, os incêndios atingiram o parque nacional Los Alerces, patrimônio da UNESCO, abrigo de lareces antigos com mais de 3.000 anos de idade. A extensão do dano aponta para consequências agravadas por cortes orçamentários na gestão de incêndios, sob o governo de Javier Milei.
Dr Juan Antonio Rivera, do Conselho Nacional de Pesquisas da Argentina, integrou a equipe da WWA e ressaltou a devastação de florestas milenares e da biodiversidade local. Ele enfatizou a necessidade de respostas urgentes para proteger a região.
Dr Clair Barnes, da Imperial College London, comentou que a análise identifica um claro sinal do impacto humano no desempenho das queimadas. Segundo ela, a queima de combustíveis fósseis aumenta a probabilidade de eventos extremos.
Os cientistas destacaram que a tendência de superalimentação de eventos climáticos extremos tende a continuar até que haja redução no uso de combustíveis fósseis. A metodologia do estudo baseia-se em revisão por pares e em dados de registros climáticos.
A situação no Chile também foi agravada por plantações florestais não nativas, mais inflamáveis que espécies locais. Pesquisadores apontam que áreas plantadas próximas a assentamentos elevam o risco de fogo, contribuindo para a ampliação dos impactos.
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