- Cinco guanacos foram liberados na área de El Impenetrable National Park, após percorrerem 3.200 quilômetros desde o Patagônia; passaram um ano se adaptando ao novo ambiente.
- A reintrodução visa reforçar a população local no Dry Chaco e ajudar na recuperação dos gramados do parque, impactados por décadas de pastejo intenso de gado.
- A operação foi realizada pela organização Rewilding Argentina, em parceria com a Administração de Parques Nacionais da Argentina e as províncias de Chaco e Santa Cruz; os animais vieram do Patagônia.
- Acadêmicos questionam a translocação, citando risco de mistura genética entre populações e a necessidade de avaliação científica transparente, além de preocupações sobre prioridades de conservação.
- No momento, envolve um grupo familiar já solto e mais vinte guanacos em aclimatação; futuras liberações dependem da sobrevivência dos primeiros animais.
Após uma viagem de 3200 quilômetros, cinco guanacos foram soltos na natureza em El Impenetrable National Park, no Chaco. A transferência remontou a uma operação conduzida pela organização Rewilding Argentina, com apoio da Administração de Parques Nacionais e das províncias de Chaco e Santa Cruz. O objetivo é reconstituir a população local e favorecer a recuperação de pastagens que sofreram com o pastoreio.
Os animais vieram de Patagônia, onde fica cerca de 90% da população argentina. O grupo transferido é composto por três fêmeas, um macho e um guanaco juvenil. Ao chegarem ao parque, ficaram em cercados de aclimatação para adaptar-se ao novo ambiente antes da liberação definitiva.
A dispersão inicial ocorreu após a adoção de técnicas novas, como cercas cobertas com material preto para acalmar os animais. Os cercados foram instalados em encostas descendentes, para que, ao enfrentar a área de soltura, não conseguissem desviar o trajeto. Em El Impenetrable, os guanacos permaneceram em pré-cercados de adaptação.
Debate acadêmico
A iniciativa divide especialistas. Alguns pesquisadores alertam para riscos de mistura genética entre populações distintas, o que poderia afetar a variabilidade dos guanacos locais. Em 2023, carta aberta já levantava dúvidas sobre a validade científica de translocações na Argentina.
Além disso, questiona-se se os guanacos devem ser prioridade de conservação, dadas as variadas necessidades regionais e a existência de outras áreas com maior urgência. Críticos pedem avaliações transparentes para evitar impactos não intencionais no ecossistema.
Outros especialistas defendem que a translocação pode ter impactos positivos, desde que haja acompanhamento científico rigoroso. Eles ressaltam que o projeto envolve colaboração com pesquisadores internacionais e locais e que os guanacos podem desempenhar papel importante na melhoria do solo e no manejo de vegetação.
A equipe de Rewilding Argentina afirmou que as translocações seguem diretrizes técnicas, com monitoramento de próximos passos conforme a taxa de sobrevivência. A organização enfatiza que não háswamping genético, por usar animais da mesma espécie e subespécie em relação aos guanacos da região.
As discussões ganham novidade diante de cortes orçamentários na área ambiental na Argentina. Informações de watchdogs apontam queda de quase 69% no orçamento ambiental entre 2023 e 2025, agravando desafios para pesquisas locais.
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