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Brasil fica para trás na corrida vacinal por falta de vacinas próprias

Brasil segue sem vacinas próprias em produção plena, mantendo dependência de externas e ficando para trás na corrida vacinal global

Funcionárias trabalham na inspeção visual da linha de produção de doses da vacina Coronavac, contra a Covid-19, no Instituto Butantan, em São Paulo
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  • Brasil não tem vacina brasileira aprovada para uso; Butantan e Fiocruz são as únicas com registro de produtos no país.
  • A indústria nacional de imunobiológicos enfrenta dependência de tecnologia externa e mudanças regulatórias dos anos dois mil, o que atrasou a retomada de parte do portfólio.
  • O Butantan é um dos dez maiores produtores de vacinas de influenza no mundo, mas o país ainda fica aquém da autossuficiência em vacinação.
  • A dengue ganhou destaque com o registro aprovado da Butantan-DV, vacina de dose única, enquanto a Butanvac passou por falhas após anos de desenvolvimento.
  • Especialistas destacam a necessidade de investimentos de longo prazo em imunobiológicos para reduzir dependência externa, com exemplos de empresas indianas e chinesas que lideram o setor.

O Brasil enfrenta um atraso na corrida global por vacinas próprias, mesmo com histórico de ampla distribuição e acesso a imunizantes. O tema envolve produção, regulação e dependência de insumos importados, com foco na autossuficiência.

A década de 1980 foi marcada por avanços, mas nos anos 2000 o setor regulatório passou a exigir adequações frente ao padrão internacional. Esse movimento impactou o desenvolvimento de vacinas nacionais, interrompendo parte do portfólio do setor público.

Para além das dificuldades, o Brasil ainda abriga capacidades relevantes. O Instituto Butantan figura entre os dez maiores produtores de influenza, enquanto a Fiocruz atua como parceira estratégica no campo vacinal. A produção nacional, porém, permanece dependente de insumos externos.

A realidade de autossuficiência envolve compreender a cadeia inteira: matéria-prima, desenvolvimento, fabricação e embalagem. Em geral, o Insumo Farmacêutico Ativo tem origem na Ásia, com o produto final frequentemente envasado em outro país e rotulado localmente.

Na prática, apenas Butantan e Fiocruz mantêm registros de produtos no Brasil. Na China, o mercado é composto por dezenas de empresas com forte apoio governamental, o que facilita a escala de produção e a inovação.

Dados de 2023 indicam concentração global: 73% do volume de vacinas vem de dez grandes fabricantes, liderados por Pfizer, Merck/MSD, Serum Institute, Bharat Biotech, GSK e Sanofi. Mesmo assim, houve deslocamento produtivo para a Ásia.

A discussão sobre desenvolver vacinas no país envolve custos elevados, estimados em centenas de milhões ou bilhões de dólares. A percepção é de que laboratórios privados tendem a investir apenas se houver demanda específica para o Brasil.

Entre os exemplos nacionais, a Butantan-DV recebeu aprovação da Anvisa no fim de 2025 para uso contra dengue, com dose única. Já a experiência com a Butanvac, em desenvolvimento para covid-19, não atingiu o objetivo esperado, gerando lições para futuros projetos.

Especialistas destacam que a dependência de acordos de transferência de tecnologia mantém o país em posição intermediária. Investimentos contínuos são vistos como estratégicos para ampliar a participação brasileira na produção de imunobiológicos.

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