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Multidão em blocos de carnaval: entenda a física por trás do fenômeno

Novo estudo mostra que multidões densas apresentam movimentos circulares com órbitas de 18 segundos, ferramenta de alerta para prevenir episódios fatais

Fotografia do Carnaval de Rua no Rio de Janeiro. Imagem de um bloquinho lotado de pessoas em um dia de sol forte.
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  • Estudo liderado por Denis Bartolo, publicado na Nature, analisa a física de multidões para entender e prever movimentos em espaços apertados.
  • A pesquisa identificou oscilações circulares no fluxo de pessoas, com trajetórias que formam círculos imaginários repetidos em cerca de dezoito segundos.
  • A equipe modelou a multidão como um fluido, buscando princípios de dinâmica de fluidos para explicar a organização espontânea do movimento quando a densidade aumenta.
  • Como exemplo de risco, houve um tumulto em Seul, em 2022, que resultou em centenas de feridos e quase duzentas mortes, quando a massa humana ficou excessivamente compacta.
  • Aplicação prática sugerida: monitorar densidade e padrões circulares pode servir como alerta para organização de grandes eventos, como os blocos de Carnaval, que atraem milhões de foliões no Brasil.

Em um novo estudo, cientistas investigam a física por trás de multidões para entender como elas funcionam e se é possível prever comportamentos. A pesquisa chega em momento de Carnaval, quando aglomerações são comuns.

O maior bloco do Brasil, o Galo da Madrugada, ocorre em Recife no primeiro sábado de folia, reunindo cerca de 2 milhões de foliões. Em 2025, eventos antecipados levaram Ivete Sangalo a atrair mais de 300 mil pessoas em João Pessoa, na Paraíba, no fim de semana passado.

A estimativa nacional aponta possibilidade de até 53 milhões de foliões circulando pelo país ao longo do Carnaval. Entidades de segurança observam que números elevados elevam a importância de compreender a dinâmica das multidões.

Estudo e metodologia

O pesquisador Denis Bartolo, da École Normale Supérieure, lidera o estudo publicado na Nature. A equipe analisa imagens aéreas de grandes concentrações para identificar padrões de movimento emergentes na densidade elevada.

Os autores tratam a multidão como um fluido, similar ao comportamento de moléculas de água, para entender direções e velocidades coletivas. A ideia é detectar organização espontânea mesmo sem forças externas.

De acordo com a pesquisa, surgem oscilações circulares no mar de pessoas. Esses movimentos formam trajetórias circulares que se repetem, com duração média de 18 segundos por círculo.

Implicações para segurança

O modelo matemático desenvolvido sugere que, ao aumentar a densidade, certos padrões de movimento aparecem de forma previsível. Essa detecção pode atuar como alerta prévio para evitar tumultos fatais em eventos públicos.

Os pesquisadores ressaltam que a observação cuidadosa de micro-ângulos de deslocamento pode orientar equipes de organização e segurança na gestão de grandes multidões. A ideia é transformar o caos em fluxo ordenado.

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