- Dr. Rangan Chatterjee afirma que o uso de telas entre crianças é a questão de saúde pública mais urgente, defendendo idade mínima de 18 anos para uso de redes sociais.
- Ele relatou um caso em que auxiliou um adolescente de 16 anos, cuja saúde mental melhorou após reduzir o tempo de tela e social media, com rotina de desligar dispositivos à noite.
- Chatterjee defende que deveres escolares com telas deveriam ser abolidos imediatamente e que o sono dos jovens é prejudicado pelo brilho e uso noturno de telas.
- O médico criticou a influência das grandes empresas de tecnologia sobre políticas de saúde e propôs que o setor público invista em prevenção, com foco em educação e suporte à saúde.
- Personalmente, ele compartilha que perdeu o filho jovem para questões de saúde mental e que valoriza relacionamentos e bem‑estar, defendendo mudanças no modelo de cuidado preventivo da saúde.
Dr Rangan Chatterjee defende freio no uso de telas por menores de 18 anos e avalia impacto do tempo de tela na saúde mental. Em entrevista ao Guardian, o médico e apresentador de podcast descreve casos e propõe mudanças regulatórias para evitar danos à geração mais jovem.
Segundo o médico, houve um caso de um adolescente de 16 anos que chegou ao consultório após internação na emergência devido a um episódio de automutilação. A equipe médica sugerira antidepressivos, mas ele decidiu investigar fatores cotidianos do jovem, incluindo o uso de telas.
Chatterjee relata ter ajudado o adolescente e a mãe a instaurar uma rotina de desligamento de dispositivos uma hora antes de dormir, estendendo o período sem tela ao longo de seis semanas. Em dois meses, o jovem não precisou mais de atendimento médico. A mãe escreveu posteriormente que houve transformação.
O médico aponta que o alto uso de telas, especialmente à noite, pode prejudicar o sono, a saúde mental e o bem-estar geral de crianças e adolescentes. Ele cita impactos como ansiedade, alterações posturais e atraso na linguagem em usuários mais novos.
Entre as ações discutidas, o médico defende que a idade legal para uso de redes sociais seja 18, equiparando-a a regras de jogos de azar e acesso a conteúdo pornográfico. Também critica a influência de grandes empresas de tecnologia nas decisões sobre a saúde das crianças.
Chatterjee participa de campanhas que questionam o uso de tecnologia em escolas e argumenta que o modelo atual favorece maior tempo de tela. Ele sugere que haja apoio preventivo com profissionais de saúde nas redes públicas de saúde, em vez de depender apenas de tratamento médico após problemas se manifestarem.
Na prática familiar, o médico afirma limitar o acesso de seus próprios filhos a redes sociais, mantendo dispositivos com apps essenciais desativados. Ele destaca que muitos pais enfrentam pressões econômicas e sociais, o que facilita o uso de telas como opção de cuidado.
Além de tratar casos clínicos, Chatterjee ressalta que decidiu afastar-se da prática clínica tradicional para alcançar mais pessoas por meio de mídia e ações de prevenção. Ele já citou publicamente a necessidade de um plano de longo prazo para a prevenção na saúde pública e institucionalmente, com foco em estilos de vida.
A entrevista também aborda a trajetória pessoal do médico, com referências ao pai, que chegou ao NHS vindo da Índia, e às dificuldades enfrentadas por profissionais imigrantes. O relato inclui reflexões sobre discriminação e a importância de manter vínculos familiares, afetivos e de convivência.
Chatterjee permanece ativo na criação de conteúdos de saúde, defendendo mudanças estruturais no sistema de saúde para prevenção e bem-estar. Ele mantém uma visão de que relacionamentos de qualidade são determinantes para a saúde e felicidade a longo prazo.
A reportagem enfatiza ainda a necessidade de políticas públicas mais consistentes para lidar com o tempo de tela, sem apontar culpados, apenas apresentando dados e propostas para reduzir impactos negativos na saúde mental e no desenvolvimento infantil. Fonte: The Guardian.
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