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Fezes de aves marinhas impulsionaram civilizações antigas no Peru

Guano de aves marinhas fertiliza milho, sustenta o crescimento do Reino de Chincha e antecipa o domínio inca sobre a região

A flock of Peruvian boobies. Photo courtesy of Alex Proimos via Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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  • Pesquisas analisaram espigas de milho com nitrogênio acima do comum, revelando assinatura de guano de 11 espécies de aves marinhas da região.
  • O uso de guano fertilizante impulsionou a produção de milho e ajudou o Chincha a se tornar uma civilização de cerca de 100 mil habitantes, por volta de AD 1250.
  • O Império Inca, ao expandir, passou a controlar o vale e tornou-se fornecedor de guano para a região durante esse período.
  • A pesquisa destaca a importância das aves e do guano para o desenvolvimento econômico e social da Chincha, além de indicar que ainda existem muitos mistérios sobre suas relações com vizinhos e comércio.
  • Em termos de conservação, dizem que os incas proibiram a caça de aves durante a reprodução, sob pena de morte.

A pesquisa aponta que o guano de aves marinhas estimulou o desenvolvimento de civilizações antigas no Peru. Pequenas e abundantes colônias nas Ilhas Chincha forneciam fertilizante para plantações de milho, impulsionando a expansão de sociedades pré-incas.

Análises em espigas de milho com mais de 2.200 anos mostraram níveis de nitrogênio muito acima do esperado por soil natural, correspondentes aos encontrados em 11 espécies de aves da região, como gaivota-peruviana, pelicano-peruano e maranguejo. Esse padrão indica utilização de guano para cultivo.

O estudo sugere que o auge do uso do guano ocorreu por volta de AD 1250, período em que o Reino Chincha atingiu seu máximo populacional, estimado em cerca de 100 mil habitantes. Posteriormente, os Incas passaram a controlar a região e o guano, segundo os pesquisadores.

Segundo o pesquisador Jacob Bongers, da Universidade de Sydney, o vínculo entre guano e prosperidade Chincha é evidente, mas muitos detalhes permanecem incertos. A hegemonia inca também incluiu políticas de conservação das aves durante a reprodução.

Outra visão, de Jordan Dalton, arqueólogo da SUNY Oswego, destaca que ainda existem mistérios sobre as relações sociais e o comércio da região. Ainda não se sabe exatamente quais bens eram trocados além do guano.

Com a ascensão inca, as reservas estratégicas de guano passaram a integrar o patrimônio do império. Os Incas, segundo Bongers, proibiram a caça de aves durante a nidificação sob pena de morte, buscando manter a reserva ecológica e industrializada.

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