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Vilas amazônicas adotam energia autônoma após falha de promessas de barragem

Projeto no Tapajós-Arapiuns fornece energia 24h com sistema híbrido solar e turbinas hidrodinâmicas, expandindo o acesso energético e a infraestrutura local

Community members take part in the installation of solar panels in the Porto Rico community, in the Brazilian Amazon.
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  • Projeto piloto na Reserva Tapajós-Arapiuns fornece energia 24 horas por dia usando painéis solares e turbinas hidrocinéticas, integradas a um sistema local.
  • As turbinas hidrocinéticas foram desenvolvidas com filtros e grade de rotação lenta para gerar eletricidade sem ferir a fauna do rio.
  • Mesmo com grandes investimentos, Belo Monte não cumpriu a promessa de energia barata e acessível a comunidades ribeirinhas, que sofrem com tarifas altas e falta de eletricidade.
  • Estudo de 2024 mostrou que cerca de 990 mil pessoas na Amazônia brasileira ainda não têm energia, e muitas dependem de geradores a diesel.
  • Em Santarém, o projeto comunitário de energia já beneficia quase 200 pessoas, com fornecimento contínuo, internet e um freezer comunitário, com planos de expansão.

Em meio a promessas não cumpridas de desenvolvimento energético, comunidades da Amazônia brasileira avançam com sistemas independentes de energia. Um projeto piloto na Reserva Tapajós-Arapiuns está fornecendo eletricidade 24 horas por meio de um sistema integrado de painéis solares e turbinas hidrocinéticas de rio. A iniciativa busca reduzir a dependência de diesel e oferecer serviços básicos como internet e refrigeração.

Pesquisadores apontam que a Belo Monte, hidrelétrica de grande porte no Xingu, não atingiu as metas de inclusão energética anunciadas, deixando milhares sem acesso estável à energia. Estudo de 2024 envolvendo a Universidad Estadual de Campinas e a Michigan State University, com apoio da FAPESP, constatou alta nos valores de tarifas para moradores de Altamira e entorno. O impacto econômico permanece adverso para famílias ribeirinhas.

A ideia atual é desenvolver redes independentes que funcionem de forma contínua, aproveitando o fluxo de rios. O projeto de Santarém, iniciado em 2023, atua em três comunidades ribeirinhas com geração mista: solar e hidrocinética, buscando autonomia energética local.

O projeto na Tapajós-Arapiuns

O piloto é coordenado por pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará e envolve comunidades próximas a Santarém. Painéis solares alimentam parte da demanda, enquanto as turbinas hidrocinéticas aproveitam o fluxo do rio para gerar energia contínua, com um sistema de filtragem para proteger a fauna local.

O sistema hidrocinético opera com rotação lenta e grade que minimiza impactos ambientais. A tecnologia exige rios em profundidade adequada, e não funciona em cursos rasos. O objetivo é manter energia estável mesmo com variações sazonais.

Impactos locais e perspectivas

Moradores relatam melhoria no acesso à energia, internet e armazenagem de alimentos. Em Porto Rico, a instalação proporcionou um freezer comunitário e suporte para emergências, reduzindo a dependência de diesel. A iniciativa envolve formação de moradores para manter o equipamento.

Estimativas indicam que o projeto pode servir cerca de 200 pessoas na região, com planos de expansão nos próximos anos. Analistas destacam que soluções descentralizadas podem complementar grandes hidrelétricas, promovendo justiça energética.

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