- A Índia é o maior produtor de manga, com 23 milhões de toneladas colhidas por ano, quase um quinto da produção de frutas do país.
- O cultivo tornou-se mais imprevisível devido às mudanças climáticas, com padrões de florescimento, frutificação e colheita variando e custos de insumos aumentando.
- Pesquisas buscam novas variedades mais tolerantes a variações de temperatura e a pragas, acelerando melhoras por meio do sequenciamento do genoma da manga em 2016.
- Agricultores adotam técnicas modernas, como poda científica, manejo de copa e uso de reguladores de crescimento; diversas variedades coloridas já são cultivadas para garantir produção anual.
- A tolerância zero a pragas em exportação aumenta a adoção de estufas e cultivo protegido, para manter qualidade e volumes estáveis.
O cultivo de manga enfrenta desafios cada vez mais complexos, mesmo em anos bons. O equilíbrio entre clima, fisiologia das árvores e técnicas de manejo é determinante para a produção. A Índia, maior produtor mundial, colhe cerca de 23 milhões de toneladas por ano, quase 20% da fruta do país.
Produtores brasileiros e internacionais acompanham a tendência, mas o impacto é sentido com mais força no norte e no centro da Índia. Upendra Singh, de Uttar Pradesh, relata que as estações não seguem mais padrões, com descolamento entre florescimento, frutificação e colheita devido ao clima. Custos sobem, rendimentos caem.
A diversidade de variedades é grande no país, com Dasheri predominante no norte, Alphonso em Maharashtra e Langra no leste. Cientistas destacam que alterações climáticas tornam o cultivo cada vez mais instável, exigindo novas estratégias de cultivo e manejo adequado.
Desafios do clima
O colega Hari Shankar Singh, da ICAR, aponta que a manga é altamente sensível à temperatura. Neste último ano, o florescimento ocorreu mais cedo, ventos fortes prejudicaram o desenvolvimento das frutas e a maturação acelerou, gerando perdas. Em 2024, temperaturas baixas prolongadas no norte atrasaram o florescimento.
Para fortalecer a resiliência, pesquisadores desenvolvem novas variedades com maior tolerância térmica e resistência a pragas. O progresso é lento: as mangueiras demoram de cinco a dez anos para florescer após cruzamentos, e a natureza heterozigótica da espécie complica a previsibilidade das plantas.
A ideia é acelerar a melhoria genética com apoio de ciência. Em 2016, a ICAR liderou o sequenciamento do genoma da manga, com foco na variedade Alphonso. A identificação de genes ligados a cor, aroma, doçura, florescimento, resistência e tolerância ao clima facilita a melhoria.
Inovações no manejo
Produtores têm adotado práticas modernas para tornar a produção mais estável. Upendra Singh plantou uma densidade maior de mangas coloridas, que garantem produção anual, ao contrário de cultivares tradicionais com anos de baixa colheita. Técnicas como poda científica, manejo de copa e reguladores de crescimento ajudam o manejo de árvore, florescimento e colheita.
O cultivo protegido começa a ganhar espaço. A técnica de cobrir frutos com envoltórios reduz perdas por pragas e aumenta a qualidade. Pesquisadores e produtores também indicam análises de solo e de folha no início de cada safra, para orientar a adubação com micronutrientes como boro e zinco, decisivos para o rendimento.
Empreendedores apontam a proteção de plantas como caminho para manter o volume de exportação. Saravanan Achari, fundador da Berrydale Foods, relata que pragas exigem tolerância zero em lotes para exportação, o que aumenta a adoção de estufas e cultivo protegido. A mudança climática é vista como fator estratégico para a continuidade dos mercados internacionais.
Perspectivas de mercado
Produtores destacam que a exportação depende do controle de pragas e de qualidade constante. Países como Japão e Israel já utilizam estufas e cultivo protegido para enfrentar desafios climáticos, sugerindo um caminho para a Índia. A meta é manter qualidade estável e volumes previsíveis para atender mercados globalizados.
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