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Estudo avalia riscos da geoengenharia em ecossistemas marinhos e lacunas

Estudo aponta lacunas de conhecimento e riscos da geoengenharia marinha, destacando necessidade de governança, melhores modelos e testes em campo controlados

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  • Estudo avalia riscos de geoengenharia em ecossistemas marinhos e identifica lacunas de conhecimento em oito intervenções que poderiam impactar oceanos.
  • Técnicas de remoção de CO₂ no meio marinho (mCDR) e gestão da radiação solar são analisadas, incluindo fertilização de microalgas, upwarding artificial, cultivo de macroalgas, armazenamento de biomassa e alcalinidade do oceano.
  • Principais preocupações: impactos sobre redes alimentares, biodiversidade, ecossistemas bentônicos e pesca, além de incertezas sobre quanto carbono seria realmente armazenado e como medi-lo.
  • Enfoque também em técnicas de modulação da radiação solar, como injeção de aerossóis estratosféricos e embelezamento de nuvens marinhas, que poderiam alterar padrões climáticos e não neutralizariam a acidificação oceânica.
  • Observa-se necessidade de melhorias em modelos e mais testes de campo em escala reduzida para entender impactos reais, governança e eventual escalonamento, com exemplos de testes como o LOC-NESS no Golfo de Maine, que avaliou o aumento da alcalinidade na superfície, em agosto de 2025.

O estudo mais recente avalia riscos e lacunas de conhecimento sobre geoengenharia nos ecossistemas marinhos. Pesquisadores alertam para impactos potenciais caso intervenções sejam amplamente adotadas, incluindo efeitos sobre peixes, megafauna e segurança alimentar global. Os oceanos abrigam grande parte do carbono e de emissões humanas, o que torna as intervenções marítimas particularmente relevantes.

A pesquisa, publicada em uma revista internacional de geofísica, analisa oito intervenções com maior probabilidade de afetar ecossistemas marinhos. Os autores destacam incertezas sobre quanto carbono seria realmente armazenado e como medi-lo com confiabilidade.

Os especialistas ressaltam que, além dos efeitos diretos, existem impactos indiretos associados ao aumento do tráfego naval, infraestrutura costeira e outros fatores. A governança da geoengenharia também figura entre as lacunas apontadas.

Biotic mCDR

Tecnologias bioticas de remoção de CO2 utilizam fotossíntese para capturar carbono, armazenando-o no fundo do oceano com o afundamento de biomassa. Entre as opções estão fertilização de microalgas, com nutrientes como ferro, para impulsionar o fitoplânton.

Outra alternativa é o upwelling artificial, que supply deep-sea nutrientes à superfície para estimular o crescimento de fitoplânton, ainda sem comprovação ampla. A macroalgação envolve cultivo de algas como alface-do-mar ou kelp, com decomposição da biomassa em água profunda.

Pesquisas sugerem ainda cultivo de macroalgas pode alterar fluxos de nutrientes e afetar comunidades no nível da base da cadeia alimentar. Impactos em predadores, peixes e megafauna podem influenciar a segurança alimentar.

Entre as incertezas, está a quantidade de carbono realmente armazenada e como medir com precisão. Alterações na disponibilidade de nutrientes podem deslocar padrões regionais de produção primária nos oceanos.

Oceanic mCDR e efeitos ecológicos

A implementação envolve riscos de criar novos habitats superficiais que bloqueiem luz e favoreçam microrganismos não desejados. A decomposição de biomassa consome oxigênio e pode formar zonas de baixa oxigenação, afetando habitats bentônicos.

Responder à pergunta se os benefícios superam os riscos exige avaliação cuidadosa. Autores ressaltam que impactos não previstos podem surgir em diferentes regiões oceânicas, com consequências para a pesca.

Outra linha de pesquisa envolve o armazenamento de biomassa terrestre no leito marinho, buscando menor risco de impactos diretos. No entanto, a decomposição ainda pode reduzir oxigênio local e alterar a disponibilidade de nutrientes.

Alkalinity e intervenções abiotas

O aumento da alkalinidade do oceano é uma abordagem que imita a lenta weathering de rochas para capturar CO2 sob forma de bicarbonato ou carbonate. Em escala experimental, a alcalinidade adicional tende a ter impactos mínimos sobre a vida marinha, segundo os pesquisadores.

Entre as possibilidades, está a alcalinidade oceânica eletroquímica, que separa água em fluxos alcalinos e ácidos. O método consome muita energia e gera resíduos ácidos que precisam de manejo adequado.

Outras opções envolvem rochas carbonatadas ou resíduos de mineração, com potenciais impactos ambientais a considerar. O estudo também analisa intervenções de modificação da radiação solar, como injeção de aerossóis estratosféricos, que podem alterar padrões climáticos regionais.

Modelagem, testes de campo e governança

Até hoje, modelos serviram de base para estimar resultados ecológicos, mas possuem limitações de resolução e parâmetros. A governança da geoengenharia aparece como tema prioritário diante do atraso entre ciência e políticas públicas.

Pesquisadores defendem mais ensaios de campo para observar sistemas complexos e reduzir incertezas. O projeto LOC-NESS realizou testes de alcalinidade em pequena escala no Golfo de Maine, em 2025, com aprovação ambiental, para entender a viabilidade de escala maior.

Os autores reforçam que a pesquisa deve permanecer estritamente científica, sem relação com indústria ou mercados de carbono. O objetivo é compreender riscos e benefícios antes de qualquer decisão de expansão.

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