- A mariposa Arctesthes avatar, criticamente em perigo, foi eleita bug do ano na Nova Zelândia, ocorrida com votação que ultrapassou 11 mil votos.
- A espécie recebeu 5.192 votos, quase o dobro do segundo lugar, o mahoenui giant wētā.
- Descoberta em 2012 por Brian Patrick durante um bioblitz, a mariposa é endêmica do Planalto Denniston e de Mount Rochfort, na costa oeste do sul.
- O habitat da espécie fica sob ameaça de uma proposta de mineração que poderia abrir grande área para mineração a céu aberto, em um regime regulatório em tramitação.
- O concurso, promovido pela Forest & Bird, busca chamar a atenção para a conservação de espécies da Nova Zelândia e contou com apoio de grupos e pessoas nas redes sociais.
A arbitrária vitória no concurso New Zealand bug of the year ficou com uma pequena mariposa, a Arctesthes avatar, considerada criticamente ameaçada. A espécie venceu com 5.192 votos, em um total superior a 11 mil, superando em 2.269 votos o segundo colocado, a wētā gigante de Mahoenui. Outros concorrentes incluíram um ácaro espinhoso, a aranha mais pesada do país e uma minhoca gigante que brilha no escuro. A competição é organizada pela Entomological Society of New Zealand, ligada à conservação da fauna local.
A mariposa Arctesthes avatar pertence à família Geometridae e é endêmica da Nova Zelândia. Ela voa durante o dia e apresenta asas marrom-avermelhadas com listras. A espécie existe apenas no Planalto Denniston e nas proximidades do Monte Rochfort, na costa oeste da Ilha Sul.
Contexto da votação e nomeação
A mariposa foi descoberta em 2012 pelo entomologista Brian Patrick durante um bioblitz, um levantamento científico intenso. A competição de nomes foi promovida pela organização Forest & Bird para destacar os riscos de mineração sobre o habitat da espécie.
A escolha do nome Avatar remete ao universo dos filmes que retratam um ecossistema ameaçado por atividades de mineração. No cenário local, a proposta de expansão de mineração no Planalto Denniston está em tramitação dentro de um novo regime regulatório, o que pode acelerar aprovações de projetos de mineração e de infraestrutura.
Reação e contexto ambiental
A executiva da Forest & Bird, Nicola Toki, afirmou que a espécie, criada para alertar sobre mineração, enfrenta agora o risco de extinção devido aos processos de aprovação rápida de projetos em áreas de conservação pública. A organização mobiliza apoiadores e usuários de redes sociais para debater a preservação da fauna única da Nova Zelândia.
A Bathurst Resources, controladora da proposta de mineração na região, ressaltou que pretende reduzir impactos ao ecossistema, com estratégias de deslocamento de espécies ou de compensação de impactos à biodiversidade. Por sua vez, o ministro de recursos tem sinalizado que a abertura de novos projetos pode ser necessária para estimular a economia e o emprego, mesmo com perdas ambientais.
Entre as instituições e pessoas envolvidas na promoção do prêmio, destacam-se estudantes, museus e grupos ambientalistas que promovem o acompanhamento e a divulgação de informações sobre as espécies. A competição de 2025 superou recordes de participação, com o maior volume de votos já registrado.
Perspectiva científica e social
especialistas da área zoológica destacam a importância de a população local compreender a riqueza da fauna neozelandesa, ampliando o interesse por espécies menos conhecidas do grande público. A coordenadora da competição, Dra. Jenny Jandt, enfatizou que a iniciativa aproxima comunidades da conservação e da diversidade de invertebrados do país.
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