- Na África, zonas seguras de abutres surgem como estratégia de conservação, com a Zona de Conservação de Tswalu, na reserva Kalahari, África do Sul, iniciada em 2019 em cerca de 114 mil hectares, incluindo redes em reservatórios e fim do uso de munição de chumbo, visando proteger abutres brancos de ponta branca, etc.
- Os abutres percorrem grandes áreas; especialistas afirmam que a área útil precisa cobrir territórios amplos para reduzir envenenamento e outras ameaças, já que algumas espécies voam milhões de hectares durante a forrageação.
- A ideia originou-se na Ásia, onde critérios rígidos (ex.: raio de cem quilômetros a partir de ninhos) foram adotados; na prática africana, as zonas têm formatos variados e níveis de monitoramento diferentes.
- Exemplos na região incluem BirdWatch Zambia, com zona de cerca de 474 mil hectares, e também desafios em Zululand ( África do Sul), onde envenenamento deliberado persiste; em Zimbabwe, projetos comunitários em Gwayi buscam reduzir riscos aos abutres.
- Há consenso sobre a necessidade de diretrizes comuns e de estabelecer zonas de tamanho ecologicamente significativo, com monitoramento padronizado e maior envolvimento de comunidades locais.
A proteção de abutres na África enfrenta desafios únicos, pois eles são lentos a reproduzir e cobrem vastas áreas. Armadilhas com venenos visam outras espécies, e a expansão de infraestruturas como linhas de energia aumenta o risco. A ideia de “zonas de abutres seguras” ganhou espaço, mas sua prática é complexa.
Na África do Sul, a mais antiga zona segura fica na Reserva Tswalu Kalahari, no sul do deserto da Kalahari. A área, de 114 mil hectares, foi criada em 2019 em terras da família Oppenheimer. Gerentes atuam para proteger abutres brancos de crista africanos e lappet-faced.
Para tornar a reserva um refúgio seguro, foram instaladas redes em reservatórios para evitar afogamento e suspensa a caça com balas de chumbo. O objetivo é ampliar para 120 mil hectares o abrigo de espécies ameaçadas, incluindo o abutre branco de crista e o branco da cabeça.
O conceito
A discussão parte de um contraste entre as zonas seguras da Ásia e as criadas mais tarde na África. O modelo asiático nasceu diante do declínio de abutres causado pela dipirona na carcaça de animais, combatendo o uso de NSAIDs para garantir alimento seguro.
Critérios de zonas seguras na Ásia costumam exigir um raio de 100 quilômetros a partir da colônia de nidificação, cobrindo cerca de 3,1 milhões de hectares. A definição envolve monitoramento intenso, marcação de aves e testes de carcaças para diclofenaco.
Na prática, muitas zonas asiáticas são consideradas provisórias, com avanços parciais. Ainda assim, há impactos positivos, como sinais de recuperação de populações em Nepal.
Adaptação para a África
Em 2017, a Convenção sobre Melhoria de Espécies Migratórias impulsionou o Plano Multiespécie de Vulturas, incluindo zonas seguras como ação-chave. Logo depois, surgiu a primeira zona segura na África, sob BirdWatch Zambia, abrangendo cerca de 474 mil hectares em reservas de caça e fazendas.
O objetivo é reduzir ameaças aos abutres e ampliar habitats protegidos, incluindo zonas de nidificação, áreas de alimentação e corredores de uso do território. Além de diclofenaco, instituições combatem envenenamento intencional, caça furtiva, perda de áreas de nidificação e colisões com linhas de energia.
A Endangered Wildlife Trust aponta avanços em uma das áreas da Kalahari, com números de abutres brancos de crista em ascensão. Mortalidades, no entanto, ocorrem em regiões fora da zona segura e por outras causas, como predadores.
Na Zululand, a zona segura enfrenta resistência. A redução de chumbo e redes em reservatórios ocorreram, mas envenenamento por crenças tradicionais persiste, com mais de 60 suspeitas desde 2019 e um episódio em 2022 que vitimou dezenas de abutres.
Na Zimbabwe, a zona de Gwayi ganha tração com trabalho com comunidades locais, visando reduzir envenenamentos. Ainda assim, o uso de chumbo continua como um risco potencial.
Medidas e diretrizes
Especialistas defendem padronização de critérios e monitoramento para facilitar a comparação entre zonas. Há consenso sobre a necessidade de tamanho ecológico significativo, semelhante ao modelo asiático, além de planos para zonas em terras comunitárias.
ONGs destacam que o envolvimento de moradores, escolas e proprietários de terras é essencial para reduzir ameaças e ampliar a eficácia das zonas seguras. A cooperação entre organizações busca um caminho comum de conservação de vultos.
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