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Evolução explica o canibalismo entre algumas cobras

Revisão destaca canibalismo entre cobras como comportamento comum em várias espécies, ligado à abertura da boca, com 11 origens independentes

Registro de cobra da espécie Naja atra comendo outra cobra.
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  • Estudo publicado no Biological Reviews analisou 503 casos desde 1892 e concluiu que pelo menos 207 espécies de cobras podem ser canibais.
  • O canibalismo entre cobras ocorre em todos os continentes onde há serpentes; a Antártica não tem cobras.
  • Três famílias aparecem com mais frequência: Colubridae, Viperidae e Elapidae, com motivações associadas a estresse, cativeiro e dieta ofiófaga.
  • Tipos de canibalismo observados incluem canibalismo materno (jiboia-vermelha), canibalismo sexual (sucuris-verdes) e canibalismo predatório entre espécies.
  • O principal fator associado é a abertura da boca e o tamanho da presa: se cabe na boca, a cobra pode comer; limitações do estudo incluem 43% dos registros em cativeiro e 29% sem contexto.

A pesquisa revisa o comportamento canibal entre serpentes, revelando que diversas espécies já recorrem ao canibalismo em diferentes contextos. O estudo analisa 503 casos documentados desde 1892, buscando entender a frequência e as motivações por trás desse comportamento.

Realizada por pesquisadores brasileiros, a análise aponta que pelo menos 207 das mais de quatro mil espécies de cobras já apresentaram casos de canibalismo. A revisão é descrita como a mais abrangente sobre o tema até o momento.

Os resultados mostram que o canibalismo ocorre em cobras de todos os continentes, exceto na Antártida, com 11 ocorrências de origem independente ao longo da evolução. Entre as famílias mais envolvidas estão Colubridae, Viperidae e Elapidae.

Entre os padrões identificados, a dieta canibal está fortemente associada ao tamanho da abertura da boca. Espécies com bocas maiores tendem a consumir presas maiores, incluindo outras cobras, enquanto espécies com bocas restritas apresentam menos casos.

A pesquisa aponta exemplos específicos: a Jiboia-vermelha já foi observada comendo ovos de sua própria ninhada para proteger filhotes, caracterizando canibalismo materno. Em sucuris-verdes, o canibalismo pode ocorrer durante o acasalamento, numa estratégia que envolve múltiplos parceiros.

Quanto às causas, o estudo sugere que fatores como estresse alimentar, disponibilidade de alimento e competição alimentam diferentes formas de canibalismo, variando por espécie. Em Colubridae, 29% dos casos ocorreram quando há escassez de alimento ou em cativeiro.

Para Viperidae, 21% dos registros ocorreram dentro de cativeiro, sob confinamento e falta de comida. Já em Elapidae, 19% dos casos pertencem a espécies naturalmente ofiófagas, ou seja, que contam com a canibalização entre seus hábitos alimentares.

Os autores indicam limitações: 43% dos relatos são de animais em cativeiro e 29% não especificam o contexto. Mesmo assim, o estudo abre caminho para novas pesquisas sobre as circunstâncias que levam cobras a devorar novamente membros da própria espécie.

Muitos dos dados destacam a relevância de condições ambientais e de acesso a alimento na ocorrência de canibalismo entre serpentes. Ao longo da evolução, diversas estratégias aparecem como formas de manejo energético ou competição entre indivíduos.

O artigo, publicado no periódico Biological Reviews, enfatiza que o canibalismo entre cobras faz parte de um conjunto variável de comportamentos canibais observados no reino animal. A análise busca mapear padrões e motivações de forma sistêmica.

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