- Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora da UFRJ, lidera estudo com polilaminina para reverter lesões na medula espinhal; a Anvisa aprovou uma nova fase de pesquisas.
- A polilaminina é injetada na medula avariada em doses pequenas, dentro de até três dias após a lesão; os testes começaram em humanos em 2016, após estudos em animais.
- A primeira paciente humana faleceu por pneumonia, evento não relacionado ao medicamento; a segunda paciente, Bruno Drummond, apresentou recuperação significativa a partir do terceiro mês.
- Entre oito pacientes tratados, seis mostraram algum grau de recuperação; a pesquisadora evita extrapolações e ressalta que ainda há limitações de dados.
- O trabalho destaca desafios no Brasil, como a patente levar doze anos para ficar pronta e dificuldades para obter insumos, mas tem contribuído para a visibilidade da pesquisa nacional.
Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora da UFRJ, lidera estudo com a polilaminina, uma molécula derivada da laminina que pode reverter lesões na medula espinhal. A equipe segue, desde 2016, em testes com humanos, após etapas em animais.
A pesquisa é conduzida no Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, ligado ao Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. O trabalho envolve aplicação de dose baixa na medula avariada e monitoramento de respostas em curto e médio prazos.
A cientista detalha que a descoberta ocorreu entre 1997 e 1998, quando um erro de pH na laminina gerou uma estrutura estável semelhante à do organismo. A partir daí, o estudo foi ampliado para avaliar efeitos em tecidos nervosos.
Avanço e aprovação da Anvisa
A polilaminina já passou por testes em ratos e cães, até alcançar estudo clínico em humanos iniciado em 2016. A primeira paciente faleceu por pneumonia, não relacionada ao tratamento. O segundo caso, Bruno Drummond, mostrou recuperação a partir do terceiro mês.
Os resultados iniciais indicam recuperação em parte dos voluntários. Entre oito pacientes, seis apresentaram algum grau de melhoria, levando a continuidade das fases de pesquisa com cautela e vigilância.
Apesar do interesse científico, a pesquisadora relata resistência da comunidade acadêmica à abordagem, incluindo no Hospital Universitário da UFRJ. O contexto demonstra entraves estruturais para pesquisa no Brasil.
Tatiana afirma que, embora haja expectativas, não é o momento de slogans ou premiações. O foco permanece na eficácia clínica. A pesquisadora enxerga o potencial como impulso para visibilidade da ciência brasileira.
Desafios como demora de patente e dificuldade de aquisição de insumos também marcaram a trajetória. Ela ressalta que o caso pode estimular investimentos e ampliar a visibilidade da pesquisa no país.
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