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A riqueza dos microrganismos: diversidade e impactos na saúde

Micoproteínas derivadas de fungos ganham espaço na alimentação e na medicina, com alto teor proteico e baixo impacto ambiental, mas exigem padronização regulatória e mais pesquisas

Na foto, profissionais trabalhando em laboratório
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  • Fungos ganham protagonismo na alimentação, na agricultura e na medicina, com micoproteínas oferecendo proteína de fungo de alto teor proteico e bom teor de fibras, além de textura similar à carne.
  • O mercado global de análogos de carne à base de micélio é estimado em US$ 7,2 bilhões, com crescimento anual superior a 10% até 2032.
  • Avanços em engenharia genética e fermentação de precisão, incluindo CRISPR-Cas9, permitem produzir proteínas recombinantes de forma mais eficiente.
  • A produção de micoproteínas tende a ter menor impacto ambiental que a pecuária tradicional, consumindo menos terra e água e emitindo menos gases de efeito estufa, apesar de exigir energia.
  • Pesquisadores identificaram a espécie Trichoderma agriamazonicum, com potencial para controle biológico de plantas e produção de compostos antimicrobianos; a conservação de amostras é essencial para novas descobertas.

Os fungos figuram como protagonistas de inovações na alimentação, na agricultura e na medicina. Pesquisas da Embrapa apontam soluções para ampliar a proteína na dieta e defender plantas e pessoas de doenças.

A engenharia genética e a fermentação de precisão transformam o micélio em fonte proteica para consumo humano. Micoproteínas, derivados de fungos, têm alto teor proteico e fibras, com sabor neutro que facilita usos culinários.

O mercado global de análogos de carne à base de micélio já alcança US$ 7,2 bilhões, com projeção de crescimento anual acima de 10% até 2032. A produção busca reduzir o impacto ambiental em relação à pecuária tradicional.

Pesquisadores da Unicamp dizem que ferramentas como CRISPR-Cas9 editam genes e otimizam linhagens fúngicas para proteínas recombinantes, similares às do leite, ovos e carne. Empresas como Quorn, Meati e Nature’s Fynd já fornecem ingredientes.

Entre as virtudes, destacam-se menor uso de terra, água e emissão de gases, além de uso de subprodutos agrícolas como substrato. A fermentação, porém, consome energia; ainda assim, o impacto costuma ser menor que o da carne convencional.

Nos últimos cinco anos, a fermentação de biomassa fúngica recebeu mais investimentos que a carne cultivada em laboratório, somando 628 milhões de euros vs 459 milhões. Isso indica maior maturidade tecnológica e entrada no mercado.

Do ponto de vista nutricional, as micoproteínas oferecem aminoácidos essenciais, zinco e selênio, e podem favorecer a saciedade e o controle glicêmico. Problemas incluem ausência de vitamina B12 e ferro em níveis comparáveis.

Ainda são necessários estudos sobre digestibilidade, biodisponibilidade de aminoácidos, alergênicos e efeitos de longo prazo na saúde. Reguladores ressaltam a padronização e o controle de toxinas e metais.

A Embrapa Meio Ambiente ressalta a importância de avaliações regulatórias rigorosas. Em vários países, micoproteínas são tratadas como alimentos inovadores, exigindo checagens de segurança antes da comercialização.

A FDA aprovou o uso de micoproteínas nos EUA em 2001, mas ainda não há diretrizes sobre ingestão diária. Crianças menores de três anos costumam ser desaconselhadas por alto teor de fibras.

Pesquisadores da Unicamp, da UTFPR, da UFRJ e da Universidade de Copenhague defendem que a biotecnologia fúngica não visa eliminar carne animal, e sim ampliar opções alimentares. O objetivo é segurança alimentar global.

Na agricultura, pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental identificaram Trichoderma agriamazonicum, fungouri encontrado na casca de árvores amazônicas. Ele combina controle biológico de doenças com produção de antimicrobianos inéditos.

Em laboratório, esse fungo inibe nove espécies de patógenos que adoecem plantas como soja, frutas e hortaliças, atuando por contato direto e por vapores que dificultam o desenvolvimento dos inimigos das culturas.

Além disso, moléculas chamadas peptaibóis produzidas por esse fungo mostraram eficácia contra bactérias resistentes, como Streptococcus e Klebsiella pneumoniae, sugerindo aplicação potencial na medicina.

O fungo foi coletado em 2004, armazenado em uma coleção científica e descrito como nova espécie apenas em 2023. Especialistas destacam a importância da preservação de amostras para evitar perdas científicas.

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