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Inscrições de 2 mil anos no Vale dos Reis revelam presença indiana no Egito

Incrições em Tamil-Brahmi revelam presença indiana no Egito romano (séc. I a III d.C.), com interação com gregos e egípcios no Vale dos Reis

A Tamil-Brahmi inscription found at the entrance of one of the tombs in the Valley of the Kings, Egypt
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  • Descoberta no Vale dos Reis identifica quase 30 inscrições em línguas indianas, espalhadas por seis tumbas, datadas entre os séculos I e III d.C.
  • A maior parte das inscrições é em Tamil-Brahmi, com exemplos também em sânscrito e grego, revelando conhecimento mútuo entre culturas.
  • As inscrições sugerem presença de pessoas originárias da Índia no Egito durante o período romano, ampliando as evidências de contatos Indo-Egípcios.
  • Pesquisadores destacam que a integração de comunidades indianas na sociedade do Egito romano é mais evidente do que se pensava, com leitura de Tamil, sânscrito e grego nas tumbas.
  • Os achados foram apresentados na conferência internacional de Epigrafia Tamil, em Chennai, e apontam para a possibilidade de mais inscrições ou artefatos indianos serem encontrados no Egito.

Seis tumbas do Vale dos Reis, no Egito, revelaram quase 30 inscrições em línguas indianas, datadas entre o primeiro e o terceiro século d.C. As inscrições foram encontradas por meio de uma nova leitura em seis sepulturas, afirmam pesquisadores. A descoberta amplia a evidência de presença indiana no Egito durante o período romano.

A identificação foi apresentada na semana passada, durante a Conferência Internacional de Epigrafia Tamil, na cidade indiana de Chennai. Os pesquisadores envolvem Charlotte Schmid, da Escola Francesa de Estudos Asiáticos, em Paris, e Ingo Strauch, da Universidade de Lausanne. O estudo aponta que as inscrições vêm de várias regiões subcontinentais, com a maioria em Tamil-Brahmi, escrito a partir de fontes antigas conectadas ao tamil moderno.

A leitura revela que as inscrições são multidispostas em quatro idiomas e quatro scripts originários da Índia, segundo Schmid. Em uma tumba, Tamil, sânscrito e grego aparecem juntos, sugerindo leitura cruzada entre textos. Os pesquisadores destacam que há evidência de leitura de Tamil, sânscrito e grego, o que indica uma compreensão comum de origem cultural entre os autores.

Esses achados ampliam o quadro das conexões Indo-Egípcias na era romana. Já havia indícios na Ilha Socotra, perto do Iêmen, e em Berenice, antiga cidade na costa do Mar Vermelho, de presença religiosa e comercial indiana. A nova descoberta reforça a hipótese de intercâmbio contínuo entre civilizações antigas ligadas ao comércio entre a Índia e o Egito.

Especialistas citados pela imprensa especializada ressaltam que a identificação dessas inscrições pode ter passado despercebida por falta de especialistas em línguas indianas que estudem grafias no Egito. A pesquisadora enfatiza que os textos mostram uma consciência de identidade indiana gravada nos muros, com leitura de várias línguas que se cruzam nos comícios tombados.

Os arqueólogos indicam que a descoberta sugere a integração de pessoas de diversas regiões da Índia na sociedade do Egito romano. A equipe afirma que podem aparecer novas inscrições ou artefatos de origem indiana em território egípcio conforme prosseguem as pesquisas.

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